A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/05/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, iniciada na metade do século XX, inaugurou diversos avanços nos setores de tecnologia e informação a partir do advento da Internet. Desde então, a rapidez de transformação do mundo contemporâneo, agravada pela cultura do consumo, faz com que indivíduos se endividem para que possam acompanhar a transformação do mercado. Analogamente, no Brasil, a situação não é diferente, uma vez que a negligenciação da educação financeira na vida do cidadão representa um fator preocupante a ser enfrentado pela sociedade. Isso se evidencia não somente pela necessidade de aparentar perfeição, mas também pelo medo da exclusão que levam brasileiros a sujarem o próprio nome.
Em primeiro lugar, a necessidade de aparentar perfeição é um fator crucial para o endividamento. No livro “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse um espetáculo. Dessa forma, a partir dos altos padrões da nossa sociedade - agravados pela globalização - indivíduos que não possuem condições financeiras acabam buscando por empréstimos para se adequarem às novas imposições da cultura do consumo, para que possam dar o seu melhor “show”.
Por conseguinte, quem não possui tais bens de consumo atuais acaba marginalizado pela sociedade. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida caracterizada pelo rápido poder de transformação, acarretou na efemeridade dos produtos que são comercializados, ou seja, rapidamente são substituídos por uma versão melhor. Desse modo, pessoas que não conseguem acompanhar ou não se adequam a essa rapidez são excluídas. Assim, as dívidas são uma realidade para a parcela da população mais pobre que tenta acompanhar essa modernidade.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o desafio atual. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, além de promover campanhas publicitárias sobre o consumo consciente, o Estado e o Ministério da Educação devem criar um projeto de lei que será entregue a Câmara dos Deputados, com o objetivo de tornar obrigatória a discussão sobre educação financeira nas instituições escolares. Isso deve ocorrer por meio de palestras e trabalhos com auxílio de disciplinas como Matemática e História, para que cada vez mais jovens aprendam a lidar com o próprio capital financeiro. Somente assim, a educação financeira receberá a importância devida e mais cidadãos não se endividarão.