A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/05/2020

Segundo o administrador Ivan Luís Tonon, o ensino pode contribuir, através da influência da educação econômica, para o desenvolvimento financeiro, diminuindo a desigualdade social, problema que acompanha o Brasil desde sua formação. Todavia, a educação financeira é restrita a um número muito pequeno de brasileiros, fazendo-se assim, necessária a discussão da importância da educação financeira para o indivíduo e como sua ausência e sua existência influenciam a vida do cidadão.

Em primeiro plano, a educação financeira desde a infância gera benefícios por toda a vida do ser humano. Segundo o educador Paulo Freire, a educação acontece de forma bancária, construindo, dessa forma, indivíduos acríticos e submissos. Sob esse viés, se ensinada de maneira correta e libertadora, a educação financeira leva o indivíduo a ter mais controle econômico próprio, tornando-se assim, um cidadão menos dependente de instituições financeiras públicas e privadas. Ademais, a instrução econômica contribui para compras programadas, o que leva a menos dívidas por parte do cliente, que adquire bens melhores e aprende a conhecer de forma aperfeiçoada seu salário e poderio de compra, o que contribui para conquistas de objetivos.

Em segundo plano, a falta de educação financeira afeta o indivíduo em vários âmbitos da vida. Assim, sem esse ensino, o cidadão tem maiores níveis de estresse e consequentemente, maiores chances de desenvolver ansiedade e depressão, fatores que atingem também a saúde física do indivíduo, diminuindo a qualidade e expectativa de vida desse. Além disso, esses cidadãos ficam à margem da sociedade, pois com inúmeras dívidas acumuladas, não têm credibilidade concedida para realizar transações financeiras, como comprovado pelo dado do Serviço de Proteção ao Crédito, o qual relata que 62,9 milhões de brasileiros terminaram 2018 com contas atrasadas. Dessa maneira, devido à redução do poderio de compra, decresce a movimentação do setor comercial, afetando, por conseguinte,  o PIB do país.

Para a reversão desse quadro, urgem medidas como a parceira do Ministério da Educação e o da Economia, promovendo a educação financeira desde as séries primárias. Pedagogos e economistas recém formados -evitando, dessa maneira, o desemprego- utilizariam com a educação infantil brincadeiras interativas com dinheiro de papel, para mostrar às crianças o valor desse. À medida que o aluno cresce, começaria a inserção de palestras de economistas e trabalhos interdisciplinares sobre a importância do capital e seu controle, caracterizando o ensino financeiro como matéria curricular obrigatória. As medidas acima teriam o objetivo de formar indivíduos mais livres e críticos, contrariando a educação bancária criticada por Paulo Freire.