A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/05/2020

A obra “Abaporu” de Tarsila do Amaral exprimi a imagem da massa populacional brasileira, que é condicionada a pensar pouco e a agir freneticamente. Apesar do hiato artístico e temporal, é possível perceber que a sociedade contemporânea ainda é representada por essa composição Modernista em diversas esferas pragmáticas, como na vida financeira, uma vez que os indivíduos, em geral, possuem “pés” ligeiros para consumir e “cabeças” atrofiadas para uma prática racional. Sob essa perspectiva, torna-se necessário analisar a importância da educação financeira no âmbito social e psicológico.

De início, é primordial compreender que a educação financeira é um fator que ultrapassa as dimensões individuais do ser, possuindo importância na economia social e nacional. Ao tomar como base o pensamento do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, a partir do seu conceito de “Homem cordial”, que consiste no indivíduo prioritariamente subjetivo em suas ações, nota-se que é uma característica cultural do brasileiro agir pela suas emoções e não considerar as condutas reflexivas. Diante dessa cosmovisão, evidencia-se que a carência de uma educação financeira efetiva para os cidadãos colabora com a continuidade da prática do “Homem cordial” no Brasil, o que causa, muitas vezes, incredibilidade de investidores financeiros do exterior nas empresas nacionais.

Além disso, pode-se pontuar a relevância psíquica da estabilidade econômica advinda da educação financeira para a vida dos cidadãos. Segundo Zerrenner, o alto índice de endividamento leva a problemas de ordem psicológica, tornando o sujeito mais vulnerável a situações como: separação, desemprego, problemas fisiológicos e até inabilidade de executar tarefas diárias. Sob esse prisma social, é perceptível que a realidade de inadimplência proveniente da falta de educação financeira colabora com a conturbação psíquica do ser de maneira severa.Uma evidência disso é que segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, após pesquisas realizadas, 70% dos inadimplentes sofrem de ansiedade e outros distúrbios, por não conseguirem resolver suas dívidas.

Logo, pode-se inferir que a educação financeira é pertinente nos âmbitos sociais e psíquicos. A partir disso, urge que o Ministério da Educação, pelo seu poder de disseminar o conhecimento na esfera executiva, inclua a disciplina de educação financeira básica na Base Nacional Curricular, de forma que essa seja abordada no mínimo uma vez por semana por meio de aulas específicas ministradas por economistas nos centros educacionais brasileiros. Isso deve ocorrer a fim de atenuar os flagelos de insegurança constituídos culturalmente acerca do mercado econômico do país e os problemas psicológicos agravados pelo endividamento. Afinal, é chegada a hora em que o cidadão  brasileiro superará a moral do indivíduo posto a agir acriticamente, tal qual retratado na obra “Abaporu”.