A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/05/2020

A fábula da “Formiga e da Cigarra” tem como lição moral a valorização do trabalho e do uso consciente dos bens materiais. Fora da literatura, o cenário econômico é negligenciado pela ausência da educação financeira nos diversos segmentos da sociedade brasileira. Esse processo possui inúmeras consequências, dos quais destacam-se o endividamento precoce e o aumento do consumismo.

Em primeiro lugar, é pertinente compreender que a falta de uma educação financeira trata-se de um dos agentes que contribuem para o endividamento de uma parcela da população. Segundo os dados do Serviço de Proteção ao Crédito e da Conferência Nacional de Dirigentes Lojistas, 12 milhões de brasileiros, entre 25 e 29 anos, já estão inadimplentes. Essa circunstância comprova que as consequências da ausência de um processo educativo acerca das questões financeiras são percebidas rapidamente. Isto é, os jovens não recebem as devidas orientações no ambiente familiar, por exemplo, e ao ingressar no mercado de trabalho, e receberem o seu primeiro salário, não conseguem gerir esse valor de forma consciente e dentro da sua realidade financeira, fazendo com que esse indivíduo passe a fazer parte da estatística de pessoas inadimplentes.

Em segundo lugar, é notório que negligência com os aspectos voltados para a educação financeira acarreta em uma postura mais consumista dos cidadãos brasileiros. De acordo com Zigmunt Bauman, um importante sociólogo polonês, a sociedade contemporânea vivencia “tempos líquidos”, no qual nada foi feito para durar. Esse cenário fica evidente, por exemplo, ao analisar o fluxo intenso de lançamento de novas versões do mesmo modelo de um celular ao longo de um ano. Desse modo, a falta de ferramentas que forneça o uso adequado do dinheiro faz com que os indivíduos comprem de forma inconsciente e sem analisar criticamente a necessidade de se adquirir determinado bem de consumo ou de como seria a maneira mais correta de efetuar uma determinada compra.  Em outras palavras, sem que ocorra um planejamento efetivo das finanças.

Logo, torna-se evidente a importância de se investir na educação financeira.  Portanto, cabe as Organizações não Governamentais promover cursos de curta duração sobre a gestão das finanças. Esses cursos deverão contar com a presença de economistas e pedagogos, com a finalidade de ensinar ferramentas de gerenciamento financeiro, bem como formas de passar esse conteúdo para os indivíduos mais jovens. Ademais, os Centros Educacionais devem realizar ciclos de debates sobre economia. Esses debates devem abordar temáticas como o consumismo, gestão financeira e empreendedorismo, visando uma postura mais consciente sobre o uso do dinheiro.