A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/05/2020
O filme “O homem que mudou o jogo” retrata a história de um time de beisebol, que ao confrontar com uma crise financeira, encontrou uma saída ao aderir novas medidas para gerir os seus negócios. Fora da ficção, verificam-se cenários antagônicos, já que, no Brasil, muitos ainda enfrentam problemas com suas finanças. Assim, apesar da importância da educação financeira, ainda há obstáculos a serem vencidos, uma vez que a solidificação de uma cultura monetária inflacionária é a responsável por obstar o reconhecimento desta ciência humana como essencial entre os brasileiros na contemporaneidade.
Inicialmente, é imprescíndivel entender os benefícios da educação financeira no cotidiano dos indivíduos. Segundo Reinaldo Domingos, escritor e doutor em Educação Financeira, a implementação desta disciplina nas escolas, instituída pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tem o objetivo de estimular o equilíbrio entre o ter e o fazer, por meio da inserção dos alunos em práticas educativas de conscientização financeira. Sob tal ótica, a aquisição dessas novas habilidades tornarão os jovens mais críticos e autônomos, os quais incentivarão os seus pais a lidarem melhor com as finanças e a realizarem mais investimentos. Logo, quanto mais cedo o cidadão tiver contato com a educação financeira, maiores serão a organização de seus gastos e a facilidade de atingirem suas metas, assim como as chances de endividamento reduzirão drasticamente, o que aumentará a sua qualidade de vida.
Além disso, a manutenção de uma cultura inflacionária, que trata o dinheiro como um tabu, dificulta a compreensão dos brasileiros acerca dos benefícios que esse tema traz à sociedade. De acordo com dados da Fecomércio - RJ, a instável inflação brasileira, entre os anos oitenta e noventa, atingiu valores exorbitantes, com um aumento de duzentos e três por cento sobre o valor dos bens de consumo, que estavam cada vez mais escassos. Nesse viés, a procura intensificada desses produtos pelos brasileiros, com a intenção de estocá-los ou não adquiri-los ainda mais caros, consolidou uma cultura histórica de compra além do necessário, o que os fazem contrair grandes dívidas. Portanto, essa visão do capital como um problema, perpetuada entre gerações, que só serve para pagar boletos bancários, tem dificultado o entendimento da educação financeira para se viver bem em todas as fases da vida.
Por fim, é irrefutável reconhecer a importância da educação financeira na sociedade, embora sejam urgentes algumas medidas para sua consolidação. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação combater a cultura inflacionária, mediante a criação de um programa nacional de capacitação de professores, que irão lecionar a disciplina de Educação Financeira aos jovens. Esse programa consiste na oferta de cursos semipresenciais elaborados por docentes das áreas de Economia e Ciências Contábeis, a fim de trazer novas perspectivas para o uso racional do capital pelos brasileiros no futuro.