A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/05/2020
No filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”,Rebecca é uma compradora compulsiva que,devido à falta de orientação adequada,deixa-se conduzir por propagandas e passa a gastar sem necessidade e sem analisar sua situação econômica,ficando endividada. Observa-se,atualmente,que essa ficção não se encontra distante da realidade de muitos brasileiros que não possuem o hábito de cuidar do dinheiro. Dessa forma,é válido analisar a importância da educação financeira na qualidade de vida do cidadão,por permitir o gerenciamento e utilização consciente das finanças e a superação do comportamento consumista ditado pela mídia.
Primeiramente,é necessário destacar que,para tornar a população ciente dos seus gastos e capaz de organizar seus bens,a administração do dinheiro deve ser apresentada,desde a infância,como uma prática habitual. No entanto,observa-se,segundo o pedagogo Paulo Freire,a predominância de uma “educação bancária” nas escolas brasileiras. Tal ensino é caracterizado por depositar conhecimento e se afastar da realidade do aluno,uma vez que não estimula a aplicação das disciplinas no cotidiano. Nessa lógica,a educação financeira,com o uso de uma linguagem acessível e interdisciplinar,é responsável por instruir os jovens sobre a importância do gerenciamento econômico. Contudo,a falta desse orientação dificulta a formação de adultos conscientes e preparados para evitar e superar crises.
Ademais,é preciso ressaltar que o consumismo,incitado pela mídia,é uma marca da atual sociedade,sendo,portanto,a educação financeira um meio para combater essa realidade. Esse fato está relacionado ao pensamento do filósofo Foucault,de acordo com o qual os indivíduos são “corpos dóceis”,ou seja,por não analisarem criticamente,são facilmente manipuláveis pelos mecanismos de poder. Nessa perspectiva,os meios de comunicação,como membros dessa estrutura,são responsáveis por moldar gostos e comportamentos e,em busca do lucro,incentivam o consumo exagerado ao criar novas necessidades. Dessa maneira,o ensino permite minimizar essa influência e tornar o cidadão apto a compreender sua situação econômica e comprar segundo suas prioridades.
Logo,para ampliar os efeitos da educação financeira,as escolas devem buscar desenvolver o senso crítico dos alunos,por meio do ensino econômico interligado às diversas disciplinas e aplicado a situações cotidianas,a fim de tornar a administração do dinheiro uma prática acessível e habitual. Ademais,para instruir os cidadãos com dificuldade financeira,as universidades podem criar projetos de orientação com seus estudantes de economia. Isso deve ser feito mediante uma plataforma digital de acesso livre,em que seja oferecido o acompanhamento de gastos e a indicação de caminhos para superar crises,visando a formação de indivíduos conscientes e livres das influências do mercado.