A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
A revolução técnico-científica, do século XX, trouxe grandes avanços para o sistema capitalista e um deles é o crédito, ou seja, empréstimos ou financiamentos concedidos pelos bancos às pessoas físicas ou empresas. No entanto, essa facilidade encontrada por muitos indivíduos, que ajuda, por exemplo, na aquisição de produtos, embute uma relação de poder do capitalismo sobre a sociedade. Por isso, percebe-se a necessidade de uma educação financeira para que ela cumpra seu papel de emancipação do ser humano, descortinando as falsas impressões de “benevolência” desse sistema.
A princípio, segundo o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam os corpos, direcionando os comportamentos, legitimando a soberania de entidades e, consequentemente, a sua obediência. A partir dessa ideia, observa-se que o sistema capitalista está inserido sob uma ótica de manipulação do cidadão. Isso pode ser observado, por exemplo, nos inúmeros anúncios divulgadores das ofertas de produtos que podem ser adquiridos por meio das vantagens do parcelamento nos cartões de créditos. Quando, na verdade, estão inseridos vários juros nos acordos financeiros, que objetivam, sobretudo, o aumento do consumismo, provocando, muitas vezes, o descontrole nas finanças dos cidadãos. Por isso, é imprescindível que haja uma educação financeira na sociedade para que ela desperte no cidadão a prática do planejamento e controle, desconstruindo tal manipulação.
Além disso, de acordo com o educador Paulo Freire, a educação brasileira não instiga o espírito crítico e investigador dos alunos, de forma a favorecer o seu pleno desenvolvimento. Essa ausência de formação efetiva prejudica, infelizmente, a percepção dos indivíduos em relação, inclusive, à sua condição de alienação ao sistema capitalista. Desse modo, a falta de educação financeira nas escolas pode ser explicada com o estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento, por mostrar que mais da metade dos jovens de 15 anos não têm conhecimentos básicos para lidar com o dinheiro cotidianamente. Assim, esse dado explica a falta de um aprendizado eficaz, realizada desde o ensino básico, quanto ao controle das finanças, mas, sobretudo, à conscientização de que a vida financeira implica escolhas e consequências, como ter o nome negativado, devido à desorientação.
Portanto, para que haja a melhoria da educação financeira no Brasil, é necessário que as escolas conscientizem os cidadãos, desde pequenos, para o controle das finanças, incentivando a sua criticidade em relação ao sistema capitalista. Isso deve ocorrer por meio de palestras e debates, realizados constantemente nesses espaços, com a ajuda de economistas, por terem maior entendimento na área financeira, orientando os alunos sobre como devem iniciar o planejamento das suas finanças. Assim, o Brasil poderá vir a ter cidadãos mais críticos e menos endividados.