A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
Idealizador do modelo de produção Fordista, o empresário Henry Ford afirmava que o dinheiro não deve ser sinônimo de independência, mas a segurança verdadeira requer sabedoria e competência para administrá-lo. Nessa perspectiva, é evidente que a inadimplência financeira do brasileiro beneficia o sistema capitalista, numa lógica consumista. Logo, é necessária a alfabetização econômica na educação básica, assim como estratégias governamentais para evitar o endividamento da população.
A princípio, o entendimento sobre administração de finanças proporciona autonomia ao indivíduo, ao passo em que torna-o capaz de fazer escolhas conscientes e se planejar para o futuro. Nesse sentido, o educador Paulo Freire alega um tradicionalismo nas escolas brasileiras por meio da “educação bancária”, ou seja, depositora de conhecimento dissociado da análise crítica da realidade. Tal cenário anula a independência para produzir e analisar informações básicas, como a economia, fomentando jovens com compulsões de gastos e aquisitores de dívidas desnecessárias, incapazes de administrar finanças por falta de entendimento. Logo, urge que a educação básica estimule a compreensão do cenário econômico global e nacional assim como o papel do cidadão no seu próprio sucesso financeiro.
Em segundo plano, atribui-se ao Poder Público a responsabilidade de conscientizar a população economicamente ativa sobre finanças, assim como auxiliar diante do endividamento. De forma análoga, o Governo não tem cumprido seu papel de assistir o cidadão visto que, quando é analisado o nível de conhecimento da população sobre finanças, o Brasil ocupa a vigésima sétima posição, num estudo feito com 30 países, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Sendo assim, é incoerente que, mesmo o Brasil sendo a nona maior economia mundial, seus habitantes não possuem autonomia sobre as próprias finanças, e isso gera quadros alarmantes, como informa pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em que mais de 65% dos brasileiros estão endividados. Logo, esse cenário requer um melhor gerenciamento dessa crise econômica, que contemple a educação financeira e a solução para o endividamento.
Tendo em vista os fatos supracitados, a Base Nacional Comum Curricular deve contemplar nas escolas, em todos os níveis, o ensino sobre educação financeira, por meio de uma abordagem multidisciplinar, associada ao cotidiano, além de palestras para os familiares, com o objetivo de conscientizar os jovens rumo à autonomia. Paralelamente, a fim de assistir a população adulta, o Ministério da Economia deve realizar campanhas de alcance nacional, nos principais meios de comunicação, que alerte sobre a importância de desenvolver um planejamento financeiro, além oferecer estratégias contra o endividamento, como o controle sobre o consumismo e o combate à inadimplência.