A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/05/2020

Segundo o sociólogo Karl Marx os meios de produção definem as relações sociais, ou seja, na sociedade atual capitalista existe uma relação de classes marcada pela desigualdade, na qual alguns detêm maior poder econômico que outros. Desse modo, nunca foi tão importante a necessidade de uma educação financeira na modernidade, visto que essa abordagem pode funcionar como ferramenta para diminuição dessa desigualdade através da conscientização e aprendizado sobre a utilização e acumulo do capital, que pode ser debatidos principalmente pela escola e pela família.

A priori, é importante que a educação financeira seja discutida no âmbito escolar, uma vez que dessa maneira os indivíduos têm contato desde a infância com essa abordagem, proporcionando-os maior autonomia em todas as fases da vida. Entretanto, o pedagogo Paulo freire, qualificou o ensino oferecido pela maioria das escolas brasileiras de “educação bancaria”, ou seja, aquela que deposita conhecimento no aluno apenas receptivo e não promove um pensamento crítico acerca das várias questões sociais. Nesse contexto, fica explicito a ausência da discussão dessa perspectiva financeira na grande parte das instituições escolares, o que acarreta na formação de cidadãos inadimplentes e menos conscientes.

Além disso, a família constitui uma importante autoridade para formação moral e educacional dos indivíduos e se faz responsável pela instauração de uma educação financeira na rotina desses, contudo,  segundo o filósofo Mario Sérgio Cortella, as famílias brasileiras terceirizam a educação dos seus filhos e a mídia que atua como corpo docente. Isso acarreta em um efeito reverso do que é proposto pela educação financeira, visto que na sociedade globalizada atual, os meios midiáticos são os principais influenciadores do consumismo exacerbado, principalmente  nas crianças que ainda não tem cognitivamente uma criticidade formada. Dessa maneira, é evidente a necessidade de mudanças na temática financeira no ambiente familiar brasileiro.

Sendo assim, se faz necessário que a escola inclua em sua grade curricular a temática da educação financeira, por meio da interdisciplinaridade e contextualização com as matérias já existentes, através da  abordagem numérica e humana desde o ensino fundamental, para que os indivíduos desde a infância tenham consciência econômica e crítica. Além disso, a escola em parceria com a família deve promover atividades que agregue responsáveis e alunos, por meio de palestras com autoridades da área de finanças, para que a família como instituição de contato primário conduza a formação adequada dos indivíduos, através do equilíbrio entre poupança e consumo.