A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/05/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro O grito do pintor Edvard Munch. Na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferente à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que vítimas da falta de educação financeira no Brasil vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por setores da sociedade. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não promover a educação financeira. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de criação de leis mais rígidas, uma vez que a legislação atual, por ser considerada branda, não prevê a obrigatoriedade do ensino, desde a infância, sobre economia nas escolas, o que prejudica o direito à informação dos indivíduos. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.

Também, observa-se que o silenciamento social frente à falta do ensino financeiro apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários, por exemplo, ao investimento em assistência psicológica que auxilie pessoas compulsivas a obter controle sobre seus gastos, comprometendo, portanto, a diminuição do quantitativo de brasileiros com excesso de dívidas que não conseguem quitar. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constara-se que, para evitarem conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que a falta do ensino financeiro deve ser combatida. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, a criação de um ordenamento jurídico mais rigoroso que preveja uma boa formação econômica desde a infância, a fim de que haja consciência sobre o que se gasta. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, o investimento em assistência psicológica para pessoas que não conseguem controlar seus gastos. Desse modo, o grito - diferente do da obra de Munch - poderia romper o silêncio dos resignados.