A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
Na parábola bíblica “O Filho Pródigo”, por não saber gerir sua parte da herança, o herdeiro mais velho perdeu tudo o que tinha. Sob essa ótica, percebe-se a importância da educação financeira na vida do cidadão, pois através dela é possível idealizar um futuro monetário mais estável e tomar decisões conscientes na sociedade de consumo.
Em primeira análise, cabe salientar a importância da educação financeira na vida do cidadão para a construção de um futuro monetário mais estável. A instrução financeira auxilia na formação de atuantes no mercado financeiro, capazes de gerir, economizar e investir rendimentos a fim de garantir um equilíbrio econômico posterior. No entanto, para a maioria da população é muito mais próximo e palpável o prazer presente em relação a um possível futuro. Assim, de acordo com o economista Joelson Sampaio, os indivíduos tendem a dar preferência aos deleites hodiernos face a um benefício vindouro, como a aposentadoria, ainda que, racionalmente, saibam que deveriam poupar.
Outrossim, a educação financeira possibilita ao cidadão a tomada de decisões conscientes na sociedade de consumo. Em um cenário onde o status é medido de acordo com os bens possuídos, boa parte da população é induzida a utilizar “facilidades”, como o crédito fácil, para satisfazer as necessidades que lhes são impostas como critérios de inclusão. Nessa perspectiva, a falta de instrução sobre como se comportar diante dessa situação faz com que pessoas contraiam empréstimos e se coloquem em condição de endividamento. De acordo com a Confederação Nacional do comércio de Bens, Serviços e Turismo, em 2013, 64% das famílias brasileiras estavam negativadas, o que torna evidente a necessidade de instrução sobre planejamento orçamentário para evitar escolhas inconsequentes.
Dessa forma, para que seja possível educar financeiramente os cidadãos, cabe ao Ministério da Educação incluir a instrução orçamentária na grade escolar, a qual deverá, por meios de aulas teóricas e simulações práticas, fornecer orientações sobre como planejar e utilizar melhor os recursos financeiros a fim de garantir um futuro estável. Além disso, cabe ao Banco Central, em parceria com brancos públicos e privados, orientar a sociedade sobre assuntos financeiros através de cartilhas, as quais deverão estar disponíveis nas agências e terminais de autoatendimento.Tal compêndio deverá explicitar, em linguagem de fácil entendimento, os benefícios da organização monetária e as consequências da utilização do crédito fácil, bem como o procedimento feito para o cálculo de juros, a fim de diminuir o número de “filhos pródigos” no país.