A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/05/2020

“Os novos desafios contemporâneos não são derivados das novas mudanças, mas sim da velocidade com que foram introduzidas na sociedade”. Esse pensamento, traçado pelo filósofo Mário Sérgio Cortella, busca evocar a necessidade da flexibilização educativa e pertinente às mudanças frenéticas oriundas da nova ideia capitalista do último século no Brasil, tal como a educação financeira, que resguarda o cidadão do endividamento insustentável e da esterilização funcional no orçamento doméstico muito vigente no ambiente familiar dos dias atuais.

A princípio, é preciso ressaltar o benefício financeiro do cidadão de que deriva a educação financeira, uma vez que ele poderá se eximir de endividamentos insustentáveis. Isso acontece, pois, à medida que esse mecanismo se utiliza da instrução consciente e crítica da vida, no contexto capitalista, o indivíduo torna-se ativo e passa a confrontar a tendência exploradora desse bloco geopolítico, denominada “Docilização dos Corpos” pelo sociólogo Michel Foucault, isto é, a disciplinarização social inspirada nos ideais de consumo exarcebado. Nessa perspectiva, ao ser consolidada a prática educativa que engloba as relações financeiras do civil, este poderá gozar de uma maior autonomia em suas escolhas perante propagandas e produtos de mercado e, por conseguinte, proteger-se de endividamentos sufocantes.

Além disso, é preciso ressaltar o papel orientador que a educação financeira pauta no que diz respeito a função coletiva do orçamento doméstico que o filho, enquanto cidadão, se depara, principalmente, na contemporaneidade. Isso acontece, especialmente, nos dias atuais, uma vez que pronunciado a prática abrangente do Taylorismo nos mercados de trabalho pós revolução industrial, que impôs a apresentação da mão de obra qualificada como necessária para profissões formais, como médico, pedagogo, advogado, entre outros. Nessa perspectiva, o filho adulto passou a adotar uma maior dependência dos aposentos parentais até que adquirisse a qualificação profissional. Devido a isso, pressupunha a necessidade de uma orientação antecipada do planejamento financeiro para que possa exercer sua função no orçamento familiar de forma a contribuir de forma justa e igualitária.

Em virtude dos fatos mencionados, percebe-se a importância da educação financeira ao cidadão na contemporaneidade. Nesse sentido, o Estado deve dispor de métodos que tornem acessíveis tal atividade à população. Para isso, propagandas, de cunho educativo e financeiro, devem ser aplicadas e veiculadas na mídia para que fomentem a prática financeira ativa, porém consciente dos gastos. Além disso, Instituições Educativas devem buscar formar cidadãos organizados financeiramente, por meio da adoção de cartilhas informativas em salas de aula, de forma a debatê-las com os docentes e instruí-los acerca de seu orçamento individual ou coletivo no futuro, visando sua independência monetária.