A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
No filme Os delírios de consumo de Becky Bloom, Rebecca é redatora da coluna de finanças de uma revista e, mesmo fornecendo conselhos sobre a educação monetária, ela esconde uma face financeiramente descontrolada e consumista. Fora da ficção, percebe-se que a sociedade brasileira pode ser considerada um retrato caricato de Becky. Sob essa perspectiva, é válido analisar os motivadores histórico-culturais de tal comportamento dos cidadãos brasileiros, assim como enfatizar a relevância da educação financeira para a comunidade.
É fundamental compreender que os meios midiáticos são potencializadores na promoção de moldes comportamentais na sociedade. Essa influência é devido ao excesso de propagandas que incentivam a cultura de consumo e utilizam uma linguagem apelativa a fim de que seu público alvo seja convencido da suposta necessidade de um produto/marca. No que concerne a esse estímulo, verifica-se a aplicabilidade da teoria do ‘‘Homem Cordial’’ do historiador Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, no qual conceitua que o brasileiro age pelo coração e sentimento. Por essa razão, a cultura do consumo é facilmente difundida, pois invoca a emoção do cidadão e não sua racionalidade.
Ademais, no que tange ao consumismo, pontua-se que os países que mais gastam são os que possuem menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Percebe-se, consequentemente, que a educação financeira está atrelada ao bem-estar social e a uma maior qualidade de vida. Nesse viés, a organização monetária não está restrita a poupar ou investir, mas é uma análise criteriosa de como proceder racionalmente. Esse é um processo que contribui, de modo consistente, para a formação de indivíduos e sociedades responsáveis que possam desenvolver as habilidades e a confiança necessárias para tomarem decisões fundamentadas. No que diz respeito a essa análise, verifica-se que, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Noruega ocupa o primeiro lugar na ranking de população mais educada financeiramente e possui o maior IDH do mundo,
o que corrobora para a ideia de correlação entre a educação financeira e o desenvolvimento social.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação insira na Base Curricular Comum a obrigatoriedade da disciplina ‘‘Educação Financeira’’, tanto no ensino básico quanto no superior, com o objetivo de ensinar aos mais jovens sobre a responsabilidade do controle monetário. Essa disciplina deverá abordar a aplicabilidade dessa área no cotidiano dos alunos. Além disso, é imperativo que o Ministério da Economia e a ANATEL trabalhem em conjunto, na internet e redes televisivas, com propagandas que estimulem o consumo consciente da população, visando uma melhor qualidade de vida e que a ideia de educação monetária seja aceita e praticada pelos cidadãos brasileiros.