A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/05/2020
No conto “João e o Pé de Feijão”, o protagonista é enviado pela mãe para a cidade, a fim de que vendesse a vaca da família para que conseguisse obter dinheiro suficiente para a alimentação de seus familiares. No entanto, o menino ficou encantado com uma proposta sobre supostos feijões mágicos e, ao voltar para casa, decepcionou profundamente sua mãe, além de ter ficado sem comer. Fora da ficção, assim como João, muitas pessoas, por não possuírem a devida noção sobre o dinheiro que têm, são incentivadas a agirem por impulso, perdendo o controle de suas vidas financeiras. Diante desse contexto, é fundamental analisar a importância da educação financeira na vida do cidadão como um meio de diminuir as taxas de inadimplência, bem como oferecer a ele maior liberdade e independência.
A priori, um dos principais reflexos da educação financeira na vida da população é a menor chance que o indivíduo tem de ficar inadimplente. Segundo o sociólogo polonês Bauman, a sociedade contemporânea tem se preocupado muito mais com prazeres momentâneos do que com os duradouros, o que ele denomina de “modernidade líquida”. Dessa forma, a busca por essa felicidade instantânea pode afetar gravemente a vida financeira do cidadão. Isso ocorre, pois, diante de inúmeras ofertas atrativas do mercado, o consumidor tende a agir por impulso. O planejamento financeiro, nesse caso, permite que a pessoa construa um senso crítico e saiba o nível de necessidade de determinada compra e como essa pode afetar seu dinheiro no futuro.
Essa educação, consequentemente, torna a família mais livre e independente com seu próprio dinheiro. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização possui uma faceta perversa que acarreta na contínua exclusão dos mais pobres. Na problemática em questão, essa perversidade configura-se nos anúncios de muitas empresas que passam a imagem de que a felicidade só é possível com a compra de determinado produto. Com isso, famílias que não possuem um planejamento financeiro tendem a se tornar escravas dessa lógica e, em vez de adquirirem algum status, têm seu poder aquisitivo diminuídos, além de serem ainda mais excluídas da sociedade.
É necessário, portanto, medidas que alterem essa realidade. Para isso, o Ministério da Economia, juntamente ao Ministério da Cidadania, promoverão a conscientização da população por meio de uma campanha nacional, na qual serão realizadas palestras com profissionais da área financeira, além de mutirões anuais, que permitam que o cidadão conheça maneiras de pagar suas dívidas e de ter maior controle sobre sua vida financeira. Dessa maneira, menos cidadãos serão tão influenciáveis como João e a condição financeira de muitos melhorará permanentemente.