A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
O final da década de 1930 foi marcado pelo “crash” da bolsa de valores de Nova York, acontecimento que trouxe consigo uma grande recessão à economia estadunidense. Entre os vários fatores que conduziram a esse cenário, está o excessivo endividamento da população da época, motivado pela enorme facilidade de conseguir empréstimos bancários somado à inexperiência dessas pessoas no âmbito financeiro. O Brasil passa, atualmente, por uma grave crise econômica e, sob essa perspectiva, infere-se que a falta de problematização sobre as dívidas de crédito e pouca atuação educacional familiar a respeito são, indubitavelmente, canalizadores desse panorama.
Primeiramente, sob a ótica sociopolítica, encontramos uma carência de discussão sobre a educação financeira, tornando empréstimos, dívidas, juros e parcelamentos temas banalizados rotineiramente, devido a falta de políticas públicas que conscientizem a população. Essa realidade ilustra com precisão a ideia que o filósofo Michel Foucault refletira acerca da teoria da normalização, a qual expõe como certos comportamentos e ideias são considerados naturais por meio de intensa repetição no cotidiano onde o indivíduo está inserido. Para tanto, demonstram numa maior escala a compactuação da sociedade em relação ao problema, que continua passando despercebido.
Segundamente, a dificuldade de superar essa problemática é auxiliada pela estrutura familiar deficiente no âmbito educacional sobre o assunto. A gênese desse fato decorre de pais que não normalizam o hábito de dialogarem com os seus filhos sobre temas relacionados ao dinheiro, criando um quadro no qual os jovens não possuem muita noção de como se planejar financeiramente. Por analogia isso reflete a terceirização da educação, abordada pelo filósofo brasileiro Sérgio Cortella, onde os pais entregam seu papel educativo nas mãos apenas de canais midiáticos, como a TV, que geralmente incentivam um consumismo desenfreado. Assim, esses fatores aliados as possibilidades de crédito podem contribuir para o endividamento dos indivíduos.
Em suma, o Poder Executivo Federal deve repassar verbas a Secretaria Nacional de Propaganda para que essa em parceria com as mídias - televisão, rádio e internet - produzam, com professores e economistas, campanhas educativas, com intuito de orientar e alertar sobre os esquemas de juros atribuídos às parcelas e empréstimos, além também de mostrar a importância de desenvolver um planejamento financeiro, melhorando, assim, essa problemática no país. Outrossim, as instâncias de ensino devem ministrar palestras, para pais e alunos, para instruí-los em como construir uma educação financeira eficiente no ambiente familiar, gerando uma normalização dos jovens com esse tema para, assim, melhorar esse cenário de desorganização econômica presente no Brasil.