A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/05/2020
O empresário Robert Kiyosaki, em sua famigerada obra Pai Rico, Pai Pobre, descreve as veredas de sua independência financeira, bem como a importância desse comportamento desde a infância, por meio de uma visão dicotômica entre dois parâmetros de pais que divergem entre si, como o título infere. Entretanto, a realidade da maioria dos cidadãos brasileiros destoa do percurso seguido pelo autor, em virtude da falta de educação financeira desde a infância que, por consequência, imerge em dívidas e são impossibilitados de alcançar emancipação financeira.
Em primeira análise, é notória a importância de incluir, a partir da educação infantil, noções básicas de como lidar adequadamente com as finanças. Acerca disso, um dos conceitos mais importantes da Neurociência é o de “Plasticidade do Cérebro”, referente a maior capacidade do cérebro de fazer e desfazer ligações entre os neurônios na primeira infância, sendo a fase da vida humana mais aberta ao aprendizado e absorção de estímulos extrínsecos. Nesse sentido, a introdução ou negligencia de abordagens financeiras logo nesse período inicial da vida serão essenciais para deliberar os rumos econômicos e conduzirá o futuro financeiro de cada sujeito.
Além disso, cabe pontuar ainda, o aumento nos índices de endividamento da população nos últimos anos. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), mais de 65% famílias brasileiras encontram-se em situação de endividamento e 25% afirmam que não têm perspectiva de efetuar o pagamento. Ademais, o aumento da facilidade do crédito também fomenta a ilusão do poder de compra. Essa visão associada à falta de educação de financeira, configuram-se como o calcanhar de Aquiles na vida dos cidadãos brasileiros, em razão de estarem submersos em comportamentos que obstruem seu progresso econômico.
Fica evidente, portanto, a importância da educação financeira na vida do cidadão e a necessidade de alternativas para solucionar o problema. Para tanto, urge que o Ministério da Educação torne a educação financeira uma disciplina obrigatória na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tendo início desde os anos iniciais, por meio de atividades lúdicas e brincadeiras, perdurando ao nível médio, no qual haveria o amadurecimento das noções fundamentais sobre finanças. Dessa forma, será possível democratizar a educação financeira e dá possibilidade ao cidadão brasileiro escrever, também, sua história de independência econômica.