A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 08/05/2020
Desde o século XIX, Karl Marx já discutia sobre os problemas de uma sociedade alienada. A classe operária era refém do dinheiro e levava uma vida vazia de sentido e valores. Hodiernamente, ainda temos uma população submissa ao capitalismo, que atrelada a falta de educação financeira submerge em dívidas ao tentar ter a vida estimulada pelos veículos de massa. Logo, percebe-se que o ensino da educação financeira é essencial para sociedade, já que lida com o ser, o fazer e o ter. A fim de entender sua importância deve-se analisar alguns fatores, como o trabalho alienado e o consumismo exacerbado.
Primeiramente, é fulcral analisar a alienação do trabalhador. Karl Marx afirmava que, “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem”. Certamente, este pensamento traduz o comportamento da sociedade atual, que se perde trabalhando excessivamente para ter uma vida cheia de coisas supérfluas e vazia de sentido. O homem alienado vive fora de si, e passa a viver para o outro, para o trabalho e o dinheiro. Perde a vida ao tentar conquistar um padrão de vida supervalorizado por uma nação consumista, e quando não consegue atingir esse padrão sente-se frustado. Esse sentimento de frustração ganha espaço e abre margem para o desenvolvimento de problemas psicológicos, como a depressão e a ansiedade.
Haja vista, essa realidade de compras irresponsáveis e impensadas, os brasileiros estão gradativamente contraindo mais dívidas, e pior, não estão conseguindo quitá-las. De acordo com dados divulgados pelo Serasa, em abril de 2019, o Brasil bateu recorde de endividados, 63,4 milhões de pessoas, aproximadamente 40,4% da população adulta, estavam com dívidas atrasadas e CPF negativado. Consequentemente, esse endividamento afeta a saúde mental das pessoas. Segundo uma entrevista realizada pela USP em 2016, 80% dos entrevistados sofriam com ansiedade e depressão por causa de dívidas.
Em síntese, a educação financeira é essencial para ensinar o consumo consciente, e por conseguinte, proporcionar uma vida equilibrada. Sua ausência na sociedade contribui diretamente para perda de qualidade de vida, e favorece, inclusive, o surgimento de distúrbios psicológicos. Destarte, o Ministério da Educação (ME) poderia inserir na LDB o ensino obrigatório de educação financeira para os alunos de ensino básico, desta forma as crianças seriam incentivadas a refletir sobre a necessidade e o valor das coisas. Ainda, o Ministério da Educação e as mídias sociais poderiam criar propagandas televisivas para a população adulta que ensinasse sobre responsabilidade financeira, como formas planejar e realizar contenção de gastos, a fim de ensinar e estimular o consumo sensato.