A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 03/05/2020
O filme “Até que a sorte nos separe” retrata sobre a história de Tino e Jane, um casal que opta por apostar na mega-sena e se surpreendem ao ver que tornam-se milhonários, mas que 13 anos depois venham a falir por não saberem controlar o consumismo criado entre eles e os filhos. Tal acontecimento, embora tenha ocorrido em um filme com o gênero de comédia, não é diferente do que se retrata no país brasileiro, onde a população gasta impulsivamente devido ao fato da ausência de uma educação financeira à questão.
Inicialmente, um entrave é a falta de concientização da população brasileira com relação à suas atividades financeiras, onde a maioria gasta o dinheiro - normalmente adquirido de um salário no início do mês - sem um planejamento a longo prazo. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de pacto social trazido pelo filósofo Rousseau: O homem nasceu livre, e em toda parte se vê acorrentado. Um exemplo disso são pessoas que adquirem diversos cartões de crédito, para que possam atingir todos os limites até o fim do mês, e de repente perceber que não conseguem pagar toda a conta, fazendo então com que venha surgir o saldo negativo, tornando-se cativos aos gastos anteriores e limitando-se cada vez mais; fato que é tão imprudente quanto o que ocorreu com Tino e Jana, apenas mais dissimulado.
Deve-se abordar, ainda, que um dos desafios da população quanto a responsabilidade de suas finanças é a inobservância estatal, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições de ensino a educação financeira como um requisito de ensinamento. De acordo com Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. A frase do filósofo prussiano mostra que, enquanto o Estado e a escola não admitirem a educação financeira como um método de ensino para erradicar o problema em questão, o ser humano estará cada vez mais propício a errar em seus gastos desnecessários e ao saldo negativo na conta.
Destarte, para que a verdadeira importância da educação financeira seja inclusa na vida do cidadão, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promova que tal questão seja ministrada dentro das salas de aula - no ensino fundamental e médio - como um conteúdo interdiciplinar obrigatório, de maneira a garantir que as novas gerações serão mais responsáveis com seus gastos. Em adição, o Estado deve promover cursos com profissionais capacitados em turnos diurnos - horário livre para a maioria dos profissionais - para que a geração atual também tenha um melhor conhecimento quanto a administração de suas finanças.