A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/04/2020

O sociólogo Zygmunt Bauman explica que a vida à crédito é entendida quando o interesse pelo consumo faz com que a população assuma dívidas intermináveis que vão além de seu poder aquisitivo. Por isso a educação financeira se faz necessária no país, não para ensinar o cidadão a consumir mais, mas para livrá-lo da cruel exploração capitalista.

Sendo assim, tal pensador define o capitalismo como um parasita e que o homem, seu hospedeiro, não sai ileso dessa relação. Isto ocorre porque o assalariado, que conta com recursos mínimos, cede à tentação das facilidades traiçoeiras oferecidas pelos bancos e demais atores do mercado financeiro. Assim, o trabalhador realiza longos parcelamentos das dívidas, atitude que o mantém sob o jugo constante de tais débitos, os quais se tornam obrigações perenes a drenarem os parcos proventos que detém.

Outrossim, como se não bastasse o assédio mercadológicos para um consumo desenfreado, a presença dos juros nas relações de compra e venda promove um covarde endividamento da população. Tal mecanismo visa unicamente a concentração de mais riqueza nas mãos da elite financeira. É por esta razão que uma formação econômica de âmbito nacional culminaria em indivíduos mais lúcidos, pois estes seriam educados para uma visão racional do consumo, precavidos de relações abusivas e de endividamentos que consumiriam um longo período de tempo para serem sanados.

Logo, uma vez constatada a carência de instrução econômica por parte da população em geral, compete ao Poder Executivo a responsabilidade de disponibilizar ao público esse tipo de formação. Tal iniciativa ficaria a cargo do Ministério da Educação, que incluiria a educação financeira como disciplina obrigatória nos currículos escolares. A medida promoveria uma mudança no panorama dos padrões de consumo da sociedade, uma vez que esta passaria a contar com pessoas mais esclarecidas, comedidas e menos sujeitas à exploração promovida pelo mercado financeiro, o que culminaria numa queda do número de pessoas endividadas no país.