A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 03/04/2020

Na obra cinematográfica “Até que a Sorte nos Separe”, é retratada a trajetória de uma família que se torna milionária ao ganhar na loteria e, após quinze anos, declara total falência devido a exacerbada vida consumista que adotaram na trama. Analogamente, fora da ficção, é notório que a realidade exposta no longa-metragem pode ser relacionada com o atual panorama brasileiro, visto que há um grande índice da população que encontra-se endividado e o país vivencia uma grave crise econômica. Nesse sentido, tanto pelo crescente mercado consumidor, quanto pela má gestão do próprio dinheiro, faz-se dessa conjuntura um atraso para a nação.

Sob um primeiro viés, de acordo com os dados expostos pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), no ano de 2020, o número de brasileiros endividados se totalizou em 65,3%. Em face à essa informação, é incontestável que, em decorrência ao deficitário ensino financeiro no Sistema Educacional Brasileiro, uma vez que não há a implementação dessa disciplina na grade curricular, o cidadão torna-se refém de sua própria ignorância, sendo incapaz de manipular os próprios gastos e investimentos, fato que resulta em mais dívidas. Dessa forma, é primordial a dissolução dessa problemática.

Outrossim, com a Revolução Industrial ocorrida na metade do século XVIII, houve um desenfreado aumento na produção das grandes empresas e o aparecimento de um novo mercado capitalista movido pelo consumo intensificado adquirido pela massa de indivíduos indisciplinados. Por conseguinte da má formação destes para o mercado financeiro, os cidadãos são influenciados, seja pela mídia ou pelo prazer momentâneo, a manter um ciclo vicioso de compra. Nesse contexto, a pessoa passa a obter, de forma excessiva, mais bens materiais do que é capaz de pagar. Logo, a falta de relações socioeconômicas desde sua formação escolar resulta no surgimento de uma pessoa despreocupada com as consequências de suas descontroladas despesas.

Destarte, medidas devem ser tomadas para mitigar as consequências da falta de conhecimento acerca da gestão do dinheiro no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as redes de ensino, implantar na Base Nacional Comum Curricular a disciplina referente à educação financeira para que, como consequência, haja a formação de seres capazes de racionar sobre o seu poder monetário e possíveis investimentos. Ademais, o Governo Federal, em parceria com empresas privadas, devem promover programas sobre o tema, através de veículos midiáticos e intervenções presenciais, a fim de democratizar e conscientizar a todos a importância desta. Com isso, espera-se que a população, nos próximos anos, passe a ter responsabilidade monetária e mude o atual cenário.