A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/03/2020
A importância da educação para a sociedade capitalista moderna
No filme “Até que a sorte nos separe”, da Paris Filmes, é retratada a vida de Tino, um pai de família pobre que tem sua rotina transformada ao ganhar na loteria. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória ostensiva e exagerada do novo milionário, que alienado pelo consumismo exacerbado e supérfluo perde toda a sua fortuna e se vê falido. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no longa pode ser relacionada ao Brasil do século XXI: o avanço da sociedade de consumo e a falta de instrução econômica por parte da população evidencia a importância da educação financeira no país.
Em primeiro plano, é mister compreender como o capitalismo influencia o arriscado padrão de aquisição hiperbólico. Tal modelo econômico, pautado na busca pelo lucro, impõe um molde de produção voltado para a obsolescência programada, na qual a vida útil dos produtos é reduzida a fim de obrigar o consumidor a adquirir mais rápido uma nova mercadoria. Com base nisso, tem-se o conceito de “Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que explicita o fato de viver-se, atualmente, uma organização social baseada puramente no consumo. Portanto, é lícito postular que a padronização do consumo se torna perigosa no contexto brasileiro de desinformação fazendária.
Juntamente a isso, apesar de já apresentar uma disciplina direcionada a esse assunto na Base Nacional Comum Curricular e de a popularidade do tema ter crescido com o surgimento dos influenciadores digitais voltados a esse ramo, o Brasil ainda é atrasado em relação à educação financeira. Tal fato é um dos responsáveis pelo alto número de endividados no país e contribui para a comprovação da fala do filósofo Emmanuel Kant. Segundo esse filósofo, o conhecimento é o que garante a saída de um indivíduo da menoridade, ou seja, é a ferramenta que constrói o pensamento crítico. Assim, fica evidente como a noção acerca de um planejamento monetário é imperiosa para a manutenção saudável de uma sociedade baseada no consumismo.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas. Primeiramente, o Ministério da Economia, órgão regulador da economia da União, deve promover campanhas publicitárias orientadas à educação para o consumo. Isso seria possível a partir da parceria com a mídia e auxiliaria na formação do senso questionador da população sobre a importância de realizar compras de forma consciente. Ademais, o Ministério da Educação, por meio da cooperação com faculdades, precisa qualificar profissionais para atuarem como educadores financeiros, garantindo, dessa forma, o êxito da disciplina e afirmando a construção da cidadania prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Desse modo, garantir-se-ia distância da realidade turbulenta e descontrolada de Tino em “Até que a sorte nos separe”.