A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/03/2020

Em 2008, a nação americana experimentou uma redução histórica na taxa de juros e, consequentemente, expansão do crédito, levando muitas famílias a comprarem hipotecas para aquisição de imóveis de forma inconsequente, sem a mínima condição de quitá-las, culminando, assim, em virtude da inadimplência, na maior crise financeira do século XXI. Analogamente, no Brasil, o desconhecimento da população sobre o tema educação financeira tem gerado um endividamento exagerado, apontando a necessidade de fazer com que o cidadão se familiarize com esse assunto.

Mormente, em um mundo arraigado no Capitalismo, onde o dinheiro envolve praticamente tudo na vida de cada indivíduo, discutir sobre finança pessoal deve começar desde a mais tenra idade. Nessa toada, Zygmunt Bauman fez uma crítica ao estilo de vida da sociedade pós-moderna com a frase: “consumo, logo existo”, mostrando que, para que se viva bem, o consumo é inevitável, sugerindo que ele deve ser feito com consciência e maturidade. Porém, as crianças e os jovens, que constituem o futuro de toda nação, não estão sendo preparados de forma efetiva para que sejam competentes para gerir seu dinheiro, pelo contrário, sendo ignorantes nesse assunto, correm sérios riscos de se tornarem adultos endividados, com baixíssimo poder aquisitivo e, fatalmente, incapazes de alavancar a economia. Fica nítido, portanto, um requisito infalível para quebrar um país: ter um povo improdutivo.

Vale ressaltar que uma população leiga no que tange à gestão financeira própria está fadada ao endividamento generalizado. Os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) comprovam essa tese, os quais mostram que dois a cada cinco integrantes da população adulta brasileira encontrava-se com o nome negativado em 2018. Diante disso, sabe-se que um povo endividado não pode comprar, e se não compra, não movimenta a economia, e, como consequência, não aquece o mercado, não gera novos empregos e o país mergulha em uma severa crise. Suscita-se, com isso, um circulo vicioso, uma vez que um povo com a renda comprometida e com o crédito bloqueado, jamais seria capaz de restaurar o crescimento econômico de um país.

Infere-se, portanto, que não educar a população, no que concerne à consciência financeira, resulta, inevitavelmente, em endividamento generalizado. Com isso, cabe ao Ministério da Educação inserir a disciplina Educação Financeira na grade curricular do Ensino Médio, período em que a maioria dos jovens se tornam ativos financeiramente, partindo de um programa específico e ministrado por expertises nesse tema, para conscientizá-los da importância de uma boa gestão financeira própria, por meio de debates, palestras e atividades práticas. Tais medidas devem ser suficientes para romper os limites da escola e alcançar a população interessada, eliminando, pois, a inadimplência exagerada e afastando a possibilidade de eclosão de uma crise similar à de 2008.