A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/04/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da falta importância atribuída a educação financeira no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também, a inércia popular no que tange à busca por um de seus direitos básicos primordiais, a educação.

De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à morosidade na implementação de disciplinas educativas financeiras à grade curricular das escolas públicas, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), os quais apontam que 41% da população adulta do país estava endividada no ano de 2018, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.

Outrossim, a baixa prioridade em relação ao desenvolvimento da educação contribui para a acentuação da problemática. Ocupando a nona posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades difundias nos centros educacionais, questões como metodologia de ensino ultrapassada, materiais de ensino desatualizados, ausência da interdisciplinaridade e do desenvolvimento do senso crítico ilustram o triste cenário da educação no país. Diante disso, medidas devem ser adotadas para reverter essa realidade.

Logo, para que o triunfo sobre a falta importância atribuída a educação financeira no Brasil seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a implementação da interdisciplinaridade nas escolas públicas, de modo a ressignificar a educação no país e facilitar uma melhor compreensão de mundo nos estudantes. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante atualizações nos materiais escolares, com o fito de garantir discussões a respeito de temas atuais e a aplicabilidade do que foi aprendido no cotidiano. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.