A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 07/02/2020

No ano de 2008, nos Estados Unidos, iniciou-se uma grande crise econômica causada pela inadimplência de hipotecas, coadunada à facilitação para obtenção de crédito e a especulação imobiliária. Não obstante, os efeitos da crise norte-americana foram sentidos em diversos países, provocando inúmeros reflexos na economia mundial, como o desemprego e, consequentemente, o endividamento em massa da população. Nesse viés, é nevrálgico que a educação financeira seja inserida no currículo escolar obrigatório e que o Poder Público desenvolva políticas públicas que favoreçam a disseminação do conhecimento às pessoas fora da idade escolar.

Numa primeira abordagem, é fundamental salientar o papel da educação financeira na formação do cidadão hodierno. Consoante o filósofo Adam Smith, em seu livro “A Riqueza das Nações”, a riqueza de uma nação não está na quantidade de metais preciosos que possui, mas, sim, na capacidade de produzir por meio do trabalho. Nesse prisma, podemos, de maneira análoga, inferir que numa sociedade moderna, cujo alicerce está no capitalismo e no consumismo, que as pessoas ainda acreditam que a riqueza está atrelada aos bens de consumo. Desta forma, para mitigar esse tipo de pensamento é necessário que aulas de educação financeira sejam ministradas aos alunos ainda nos primeiros anos de atividade escolar, isso devido à relação precoce que as crianças possuem com o dinheiro.

Outro aspecto de suma importância é o desenvolvimento de políticas públicas eficientes para a disseminação de informações relacionadas às finanças. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito, mais de 60% da população brasileira possui algum tipo de débito e estão com restrições de crédito. Nessa seara, muitas pessoas contraem dívidas com altas taxas de juros compostos, como, por exemplo, o cartão de crédito, o que gera o endividamento desenfreado do cidadão e o aumento da inadimplência. Baseado nos dados supracitados é fundamental que o Poder Público desenvolva programas e planos voltados à educação financeira e a quitação de dívidas para pessoas em situação de inadimplência e débitos, além de fiscalizar as taxas de juros abusivas aplicadas aos clientes.

Conclui-se, portanto, que a educação financeira é algo essencial para a vida do cidadão brasileiro, contudo seu ensino ainda é deficitário no país. Desse modo, cabe ao Poder Público, representado pelo Ministério da Educação e da Fazenda, promover o ensino de tal assunto por meio da inclusão da matéria no calendário escolar e com palestras, comercias e cursos voltados para toda a sociedade civil. Por fim, espera-se que essa medidas reduzam a inadimplência a longo prazo e promovam uma conscientização quanto ao uso do dinheiro no Brasil contemporâneo.