A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 23/10/2019

No livro “Utopia”,do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problema. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor preconiza, uma vez que a educação financeira na vida do cidadão brasileiro apresenta barreiras, as quais dificultam a aproximação com o mundo idealizado por More. Sob esse viés, a incúria Estatal e o comodismo social são potencializadores do impasse.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a Constituição Federal de 1998 prever no artigo VI como direito social a educação, mas para que seja efetivada necessita de prestações positivas do governo. Entretanto, percebe-se um número gigantesco de brasileiros negativados, que de acordo com dados da Serasa Experian, ultrapassa dois quintos da população adulta. Isso é um resultado da falta de educação financeira nas instituições de ensino de base, como também em unidades de ensino superior, que em desdobramentos futuros poderão desencadear problemas econômicos semelhante a crise de 1929 no Estados Unidos, a qual precisou de uma intervenção estatal na economia para sanar o problema.

Além disso, atitudes com alta repetitividade na sociedade tendem a permanecer se nada for feito, o que faz jus às palavras da socióloga Hannah Arendt de que “quando uma atitude agressiva é repetida várias vezes na sociedade, as pessoas param de vê-la como errada". Defronte a esse pensamento, é evidente que se deve ter uma transformação nas atitudes humanas em relação ao gerenciamento de suas finanças para que o problema de nomes sujos não se perpetue. Nessa perspectiva,é necessário que as pessoas mudem sua educação financeira para poder progredir, pois de acordo com filósofo George Bernard, “não há progresso sem mudança”.

Urge, portanto, que a sociedade civil mais esclarecida exija que o Estado saia da inércia. Este, por sua vez, deverá agir através do Ministério da Educação, que deverá promover intervenções sociais voltadas a toda população, regidas por economistas, profissionais capacitados na área, em locais públicos como escolas, teatros e auditórios, abordando o tema com objetividade e clareza, com a finalidades de instruir a maior parte da população sobre o gerenciamento econômico particular. Ademais, deverá ser instituído no sistema educacional de base e superior, cursos e minicursos sobre economia. Com isso, essas ações contribuirão para aproximar o ideal definido por Thomas More em sua obra “Utopia”.