A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 22/10/2019

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece um crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere a importância da educação financeira na vida do cidadão. Nesse contexto, torna-se evidente o consumismo exagerado, bom como a falta de conhecimentos básicos de finanças.

É indubitável que o consumismo exagerado nos brasileiros esteja entre as causas do problema. Conforme Bauman, a sociedade pós-moderna fortaleceu cada vez mais o individualismo, fazendo com que as relações se tornassem líquidas. Por sua vez, um indivíduo sem laços afetivos se atrela ao consumismo, se satisfazendo em comprar cada vez mais ao invés de fortalecer as relações com outras pessoas. Desse modo, o consumismo exagerado que deveria ser uma relação líquida, passa a ser sólida.

Sobre outra perspectiva, a falta de conhecimentos básicos de finanças influência na problemática. No Brasil, não se encontra um respaldo político necessário na cobrança de educação financeira básica em escolas, um adolescente que não tem conhecimento financeiro, cresce um adulto leigo nesse tema e gastando mais do que o necessário. Sendo assim, contrariando o que o filósofo Platão afirma, que a política tem como dever e obrigação garantir o afeto entre a sociedade.

Diante dos fatos supracitados, é evidente a necessidade de medidas eficazes e peremptórias que alterem essa realidade. Logo, é fundamental que as famílias, em parceria com líderes dos bairros, exijam do poder público a implantação de educação financeira em escolas, através de cartas e abaixo assinados solicitando essa ação, para que os futuros jovens saibam como gastar e gerenciar seu dinheiro. Dessa forma, o universo de “O Auto da Barca do Inferno” permaneça apenas na ficção.