A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/10/2019
O filme brasileiro “Até que a sorte nos separe” narra como Tino e Jane passam da pobreza à vida de luxo após ganharem na loteria, e então à pobreza outra vez, pois não souberam administrar sua riqueza. Embora seja uma comédia, a situação de dificuldade na lida com o dinheiro reflete o próprio contexto dos brasileiros, exceto pelo detalhe de que a massiva maioria das pessoas não chega a ganhar na loteria e, especialmente por isso, é necessário controle e planejamento financeiro. Em uma sociedade de consumo, é imprescindível que todos os cidadãos tenham acesso a uma educação financeira adequada, a fim de que sejam conscientes na gestão dos recursos próprios.
A priori, é preciso considerar o contexto capitalista brasileiro. Sendo o consumo de bens e serviços a força motriz do mesmo, é de interesse do mercado persuadir os indivíduos de que precisam não apenas adquirir os produtos, mas fazê-lo o quanto antes, mesmo que tal ação prejudique as finanças do consumidor. Entretanto, é preciso questionar a validade dessa estratégia, tendo em vista que a própria economia é prejudicada, como foi o caso dos Estados Unidos, onde o governo incentivava o consumo exacerbado, o famoso “american way of life”, até que essa política culminou na grave crise econômica de 1929. Assim, é inegável a necessidade de formar consumidores conscientes, tanto para a economia do país quanto para o mercado e, sobretudo, para o próprio cidadão.
Com isso, analisa-se o esforço que tem sido empregado no Brasil em termos de educação financeira. Enquanto dentro das salas de aula essa, em geral, se restringe à matemática financeira, fora delas, o nome que desponta é o Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Essa instituição privada sem fins lucrativos oferece um amplo serviço de consultorias no que tange à gestão empreendedora, disponibilizando, além disso, ferramentas, cursos e artigos informativos em seu site, de forma que os mesmos ficam acessíveis a todos. Assim, se por um lado o Sebrae está atrelado à administração empresarial, por outro, isso pode ser solucionado em um projeto de ampliação, a fim de que cubra também a gestão doméstica, utilizando-se as escolas como canal mediador.
Portanto, considerando-se os aspectos mencionados, urge a necessidade de o Ministério da Educação, em parceria com o Sebrae, implementar nas escolas públicas brasileiras um curso de educação financeira, por meio de investimentos provenientes do Governo Federal e da iniciativa privada. O projeto deve ser incluído na Base Nacional Comum Curricular, sendo obrigatório a partir do oitavo ano do ensino fundamental, com conteúdo apropriado à cada ano de escolarização e encontros regulares, de uma a duas vezes na semana. Com isso, espera-se garantir a capacidade de todos os brasileiros de gerir seus recursos, ainda que sejam exímios, e não os milhões de reais de Jane e Tino.