A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/10/2019
No início da civilização, o comércio era feito na base do escambo, ou seja, na troca de mercadorias. Posteriormente, no século VII a.C. surgiram as primeiras moedas feitas de ouro e prata, que facilitavam as trocas comerciais. Hodiernamente, na era do dinheiro digital, cartão de crédito e criptomoedas, o Brasil enfrenta diversos problemas relacionados à importância da educação financeira na vida dos cidadãos. São fatores que contribuem para essa problemática, o histórico de inflação e erros estatais na economia, aliados ao papel insuficiente da escola no processo da didática monetária.
Nesse contexto, é oportuno frisar que a economia brasileira sempre foi inflacionária. Só para exemplificar, nos anos 80 e 90 o cenário era de hiperinflação, atingindo picos históricos de 1037% em 1988 e 1782% em 1990, segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Além disso, houveram as constantes trocas de padrões monetários e o confisco da poupança pelo Governo Collor. O resultado de tudo isso é que uma geração inteira de jovens e adultos teve que aprender a gastar todo o seu dinheiro para não vê-lo “virar pó” em horas. Dessa forma, a perda de valor do dinheiro e os planos governamentais mal-sucedidos contribuíram, infelizmente, para o cenário atual de deseducação financeira.
Ademais, o papel tímido da escola no que tange à educação financeira também agrava a situação. Segundo Immanuel Kant, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Nesse sentido, a teoria do filósofo alemão confronta a realidade brasileira, uma vez que, a capacidade de gerir o próprio dinheiro não é aprimorada, de maneira satisfatória, por meio das práticas escolares, o que demonstra, dessa maneira, a negligência do sistema educacional presente nessa questão. Portanto, quanto mais cedo for introduzida a alfabetização das finanças pessoais e demonstrada sua importância na vida do cidadão, maior será o retorno, porque os jovens e crianças serão formados com essa consciência.
Diante desse cenário, é evidente que não existe solução fácil para esse imbróglio, visto que ele é consequência de muitas outras mazelas que assolam a população. No entanto, o que deve ser feito, pelo Ministério da Educação, por meio de adaptação na grade comum curricular, é implementar a educação financeira como disciplina obrigatória, assim como, português, matemática, ciências etc, nos ensinos fundamental e médio, a fim de criar cidadãos capazes de gerir suas próprias finanças com o aprendizado trazido da escola. Para isso, é essencial firmar parcerias-público privadas, nas quais empresários, administradores e economistas, por exemplo, darão palestras para fortalecer o ensino teórico. Somente assim, será possível a valorização do invento criado no século VII a.C.