A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/10/2019

Ocorrida em 1929, a “Grande Depressão” é conhecida pela quebra da Bolsa de Nova York, motivo do suicídio de centenas de pessoas que viam na ausência de dinheiro um fardo insuportável de conviver. Ao analisar esse fato histórico, pode-se perceber a falta de uma educação financeira efetiva que auxiliasse a gestão responsável do dinheiro e das emoções quanto a ele. No Brasil contemporâneo, a situação, apesar de não catastrófica, é análoga: a educação financeira é negligenciada, sobretudo pelos currículos escolares, além de encontrar empecilhos na cultura de demonização do dinheiro. Essa realidade interfere no desenvolvimento do cidadão - enquanto agente ativo - e da nação.

Em uma primeira análise, a escola, enquanto instituição responsável por apresentar conhecimentos técnicos e práticos ao aluno, não parece atentar-se à educação financeira. A ausência dessa pauta nos currículos escolares evidencia, portanto, a negligência Estatal em promover ferramentas para que os jovens atuais sejam capazes de administrarem o próprio dinheiro. Para o educador brasileiro Paulo Freire, o objetivo do sistema educacional deve ser formar cidadãos críticos e aptos a pensarem de forma autônoma. Esse princípio deveria pautar todas as esferas da vida individual, sobretudo o controle de gastos pessoais, visto que a carência de tal direcionamento pode ser a causa de males secundários na vida adulta, como o consumismo - uso do dinheiro para compensar estresses diários.

Por uma outra perspectiva, a associação negativa ao dinheiro pode ter origem no passado corrupto do Brasil. Desde o período colonial até a contemporaneidade, a elite - detentora de maior capital - em sua maioria foi responsável por defender seus interesses em detrimento das camadas populares e manter o seu próprio monopólio capital. Assim, a correlação entre dinheiro e malfeitorias foi estabelecida e passada ao longo das gerações juntamento com o estereótipo de que “ricos são frios e indiferentes à dor alheia”. Essa visão é responsável pelo bloqueio mental de uma parcela significativa da classe média, pois a impede de gerar riquezas que seriam benéficas tanto para o país, quanto para os indivíduos desprovidos de meios para crescer economicamente.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para introduzir a educação financeira no cotidiano dos cidadãos. Logo, cabe ao Ministério da Educação propor, por meio de um projeto de Lei, a implementação dessa pauta no currículo escolar do Ensino Médio, a fim de fornecer aos jovens um conceito básico e eficaz que os permita administrar de forma responsável seu dinheiro quando adultos. Além disso, em parceria com Organizações Não Governamentais, o MEC deve oferecer palestras que desmistifiquem a repulsa a dinheiro, apresentando-o como ferramenta de melhoria na qualidade de vida. Assim, será possível evitar cenários catastróficos no desenvolvimento do cidadão e da nação.