A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/10/2019
Conforme os preceitos de John Locke, a propriedade privada é um direito natural do ser humano. No entanto, no Brasil, milhares de indivíduos são privados do exercício desse direito, posto que são expostos a estímulos mercantis constantes, sem o preparo necessário para lidar com esses. Nesse sentido, percebe-se que a educação financeira é essencial para a liberdade e soberania do cidadão brasileiro.
Segundo dados divulgados pelo Serasa Experian, existem 63 milhões de indivíduos em situação de inadimplência financeira no país, o que corresponde à 40% da população adulta. Tais dados são, além de preocupantes, sintomas de que o cidadão brasileiro não sabe lidar com o próprio dinheiro. Todavia, essas pessoas não devem ser totalmente culpabilizadas pela situação lastimável em que se encontram, visto que diversos fatores culminam para sua relação conflituosa com a vida financeira. Dentre esses fatores, pode-se citar a ausência de uma educação financeira eficaz e permanente na vida desses indivíduos, a qual deve começar durante a infância. Essa lacuna na formação, somada aos estímulos ininterruptos do capitalismo - os quais se apresentam por meio de propagandas e odes ao consumo -, molda uma realidade em que grande parte da população não possui autonomia.
Em detrimento da infeliz conjuntura que permeia a vida dos cidadãos, deve-se compreender a importância da educação financeira na vida desses. O objetivo dessa formação ultrapassa a simples contabilização de renda e o corte de gastos supérfluos, pois visa, principalmente, auxiliar o indivíduo no autoconhecimento e estabelecimento de metas. É primordial que os brasileiros compreendam que o dinheiro é, primeiramente, um meio para o alcance de objetivos. Além de uma maneira de atingir metas, o dinheiro também se constitui como uma forma de alcançar a liberdade, posto que, de acordo com o economista John Kenneth, nada estabelece limites tão rígidos à liberdade que a falta de dinheiro. Esse fato é atestado quando milhares de brasileiros se submetem a ambientes de trabalho que os deixam insatisfeitos e cerceiam sua felicidade, pois precisam de uma renda contínua para quitar suas dívidas.
Portanto, diante do imbróglio social relatado, medidas devem ser tomadas. Faz-se essencial que o Ministério da Educação inclua planos de ensino voltados para a educação financeira, na Base Nacional Comum Curricular, a fim de orientar os jovens cidadãos acerca de um relação saudável com o dinheiro e a importância desse na sua vida adulta. Ademais, é imprescindível que o governo federal honre a Estratégia Nacional de Educação Financeira e busque parcerias com instituições privadas, a fim de incluir programas televisivos, em horário nobre, que conscientizem a população fora da idade escolar sobre o controle financeiro. Assim, será possível que a liberdade seja, plenamente, um direito de todos.