A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/10/2019
O início do Capitalismo Financeiro, no século XX, promoveu uma mudança no hábito mundial a partir da concessão de crédito facilitado por lojas e bancos. Todavia, apesar da passagem de mais de cem anos, muitos brasileiros ainda não se adaptaram completamente a essa transformação econômica, permanecendo com uma recorrente problemática no país: o endividamento. Nesse sentido, tanto a negligência educacional, quanto o marketing agressivo do mercado, várias famílias têm acumulado cada vez mais dívidas.
A priori, é válido ressaltar o lapso da sociedade no que tange o conhecimento sobre administração financeira. No entanto, essa conduta é produto da ineficiência estatal no que diz respeito à superficial – ou inexistente – aprendizado sobre finanças. Essa ideia pode ser refletida a partir do argumento do educador Paulo Freira, o qual afirma que é importante atuar no ensino de modo interdisciplinar associando teorias à prática. Porém, há uma deficiência na aplicação dessa tese pelas instituições de ensino, visto que o sistema educacional é predominantemente conteudista e pouco vinculado ao cotidiano da sociedade. Com isso, cerca de 62,6 milhões de brasileiros fecharam 2018 com o nome sujo, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o que, por consequência, prejudica o desenvolvimento do país.
Além disso, a visão gananciosa das companhias comerciais, as quais aproveitam do “analfabetismo financeiro” dos consumidores, agrava o contexto excessivo do endividamento. Esse preocupante cenário pode ser analisado por meio da tese “Mais Valia” de Karl Max, a qual afirma que os sistemas capitalistas são movidos pela busca do lucro financeiro. Partindo dessa visão, para alcançar esse objetivo, as empresas utilizam propagandas persuasivas e disponibilizam parcelamentos e créditos excessivo aos clientes. Nesse viés, essa estratégia seduz milhares de consumidores e cria o falso desejo e necessidade de compra cada vez maior, desenvolvendo um círculo vicioso e aumentando os gastos desnecessários.
Por fim, fica nítida a deficiência financeira é resultado das falhas educacionais e comerciais. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria às Universidades, inclua nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) aulas voltadas à educação financeira que aborde os conteúdos teóricos e práticos, a fim de formar gerações com maiores responsabilidades e conhecimentos financeiro. Ainda, cabe ao Ministério do Comércio limitar a concessão de créditos e parcelamentos oferecidos pelas empresas, garantindo que esse benefício seja disponibilizado de acordo com a realidade do cidadão. Somente assim, a nação brasileira poderá se considerar apta e inserida no atual Capitalismo.