A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/10/2019

Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é diametralmente oposto ao que prega o autor, pois o alto índice de inadimplência dos brasileiros apresenta barreiras que dificultam a concretização das idéias de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do fácil acesso ao crédito quanto da falta de educação financeira da população. Desse modo, faz-se mister a discussão desse assunto, a fim de proporcionar o pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o problema da inadimplência nacional a deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não acontece no Brasil. Visto que, devido à falta de atuação das autoridades, cidadãos têm acesso cada vez mais facilitado a fontes de crédito, isso torna-se um catalizador da inadimplência, visto que, segundo dados do Banco Central, o Brasil é um dos países com as maiores taxas de juros do mundo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, devemos ressaltar a falta de educação financeira como agente catalisador da problemática, pois, segundo a plataforma indexadora de investimentos Yubb, pessoas com pouca educação financeira tendem a gastar sem pensar, ser menos organizadas financeiramente e não investir seu dinheiro. A importância do tema é tanta que o governo já traçou planos para educar as gerações futuras, por intermédio da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef). Todavia, faz-se necessário educar também as gerações passadas, que ainda compõem parcela importante da população economicamente ativa.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Desarte, com o intuito de mitigar a inadiplência entre a população adulta do país, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será destinado à oferta de turmas de educação financeira à população adulta. Não obstante, o Banco Central deve rever as políticas de concessão de crédito às pessoas físicas, de modo a mitigar a oferta de vias de crédito à elevadas taxas de juros à população. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da inadimplência no Brasil, e a coletividade alcançará a Utopia de More.