A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/10/2019
O filme americano “Os delírios de consumo de Becky Blomm” retrata o cotidiano da protagonista Becky, adepta de um estilo de vida consumista, vê-se envolvida em inúmeras dívidas que tornam sua vida financeira um caos.De maneira similar, na sociedade brasileira contemporânea, o número de pessoas endividadas é crescente e a necessidade de ampliação da educação financeira torna-se urgente,uma vez que a ampliação do crédito e a negligência familiar, têm sido as principais responsáveis pelo agravamento dessa questão.
Em primeira análise,é válido mencionar a responsabilidade das empresas de crédito no fracasso financeiro da sociedade.Em consonância com o geógrafo Milton Santos, a Revolução Técnico Científico Informacional transformou as relações do homem com o espaço, isto é, antes da 3ª Revolução Industrial, os indivíduos só compravam com dinheiro, após tal advento, houve a popularização do cartão de crédito, que de acordo com o FMI, cobra, no Brasil, um dos 6 maiores juros do mundo,e com isso, o aumento do endividamento social.Em face disso, é notória a mudança no perfil humano relacionado ao seu poder aquisitivo, por exemplo, um indivíduo que receba um salário mínimo e compra um “iphone” de 5 mil reais, parcelado em 10 vezes, ou seja, metade de sua renda mensal, não tem , de fato, condições de comprar tal item,sem comprometer outros aspectos pessoais,como saúde e educação,revelando total falta de educação financeira.
Somado a isso, cabe evidenciar que a família é a referência na aquisição de hábitos, nocivos ou não. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, um hábito pode ser adquirido e reproduzido inconscientemente, isto é, quando aplicado no núcleo familiar, a ausência de planejamento financeiro dos pais pode ser incorporado pelos filhos e, assim, tais valores tornam-se um hábito repassado, ainda que de maneira não intencional, às próximas gerações. Por conseguinte, observa-se a imprescindibilidade da inserção da educação financeira aos indivíduos adultos como forma de transformar atitudes e replicar o hábito de um consumo consciente nas crianças e jovens.
Destarte, o Governo Federal deve, por intermédio do SERASA (Centralização dos Serviços dos Bancos),instituição privada que detém dados acerca de pessoas endividadas,ofertar palestras educativas com equipe especializada( contadores, administradores e matemáticos), objetivando alertar a população que possui algum registro de dívida positiva no órgão, acerca da importância da educação financeira para uma vida equilibrada.Ademais, o Ministério da Educação deve promover em empresas públicas e privadas, rodas de conversa que visem reconstruir bons hábitos.Espera-se com isso, que as crianças e o jovens brasileiros não protagonizem o endividamento de Becky no filme citado.