A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/10/2019
Segundo dados de 2018, ao envelhecer, no Brasil, as pessoas se tornam mais inadimplentes , ou seja, ao passo que se torna maior a necessidade de controle do próprio dinheiro, cresce a dificuldade de geri-lo. Isto denota que o brasileiro médio não possui educação financeira, tanto que 65% dos brasileiro optam pela poupança, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, entretanto este foi o único tipo de investimento bloqueado pelo Governo Federal no Plano Collor de 1990. O fato da existir uma “alienação financeira” faz com que o cidadão tenda a investir em passivos ao invés de ativos, e sofra facilmente dominação financeira.
Primeiramente, pode-se afirmar que a casa própria é o maior sonho do nativo do Brasil, conforme pesquisa do Data Popular, em 2016, 35% dos entrevistados acreditavam que conseguiriam seu imóvel no próximo ano. Sobre isso, o livro “Pai rico e pai pobre” de Robert T. Kiyosaki traz a narrativa do pai do escritor, um homem que faz investimentos equivocados que o fará perder dinheiro no futuro, sendo este o ‘‘pai pobre", e o pai de seu amigo que investe em coisas que lhe trarão retorno financeiro, o “pai rico”. No contexto do Brasil atual, o brasileiro médio está mais próximo do “pai pobre” do que do “pai rico”, porque o cidadão sonha com objetos de consumo, os quais irão perder valor de marcado com o passar do tempo, isto configura despreparo diante da possibilidade de consumir. A necessidade de consumo imediato, implica em um não-planejamento correto para o longo prazo, e endividamento futuro.
Em segundo plano, a dominação financeira sempre foi uma forma de imposição que esteve presente na sociedade. Com relação a isto, Graciliano Ramos em uma passagem do livro “Vidas Secas” descreve o fato do chefe de família Fabiano ter que ceder seus animais para manter-se na fazenda, e sua indignação ao perceber que estava sendo lesado, mas retrata também a impossibilidade de ação da personagem diante da força monetária do fazendeiro. No cenário atual, tal imposição ainda se faz presente, em casos como esposas que são agredidas, mas não possuem recursos para a fuga do agressor, ou seja a fragilidade financeira impede o exercício pleno do direito de ir e vir. Um Estado não pode expor sua ineficiência, e sujeitar os habitantes a estas humilhações.
Tendo em vista os argumentos apresentados, a ONG Bem Gasto, que atua em comunidades, deve promover o debate sobre educação financeira por meio de palestras em escolas, com o auxílio das Secretarias Municipais de Educação, para que os futuros consumidores do Brasil saibam fazer suas escolhas da melhor forma e tenham sucesso no longo prazo. Já o Ministério da Educação deve realizar parcerias com influenciadores digitais que tratam do tema para que gravem vídeos elucidativos, visando que a Estratégia Nacional de Educação Financeira seja implantada com sucesso, urgentemente.