A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/10/2019
“Não é preciso estar embriagado para ascender um charuto nas misérias alheias” é a reflexão feita pelo narrador do livro “Quincas Borbas”, escrito pelo renomado Machado de Assis, a respeito das ações de um homem, que ao ver uma mulher se lamentando por ter sua casa destruída pelo fogo, pede, ironicamente, licença para ascender seu charuto neste incêndio. Apesar de ficção, esta passagem do livro é uma amostra de que o capitalismo, é capaz de tornar os indivíduos apáticos, por meio de seus comandos arbitrários, as quais, por medo, o ser passa a obedecê-los cegamente, isto é, para dar dar lucro aos que ordenam, gastam suas finanças sem questionar se a compra é profícua à sociedade. Uma vez iniciado o processo de consumo, os gastos tornam-se incontroláveis e, ascender charutos na miséria alheia, um vício. Assim, a educação financeira é, indubitavelmente, um meio de resistência ao consumo desenfreado, a qual retira a liberdade de escolha e torna o ser indiferente a barbárie.
É imprescindível ressaltar, o que faz o sistema ser autoritário, para que se entenda, a ,incalculável, importância de se discutir sobre autonomia financeira. Segundo Karl Marx, a economia atua por meio do fetiche fantasmagórico, isto é, as propagandas exploram a subjetividade do ser e são,assim, capazes de seduzi-los como mágica, ao fazê-los acreditar que sem a mercadoria, eles serão infelizes. Com medo de a crença se concretizar, submetem sua liberdade de escolha sob suas finanças para à covardia, e deixam de questionar, se o gasto interferem na qualidade vida da seres vivos.
Outrossim, este estado de medo constante é descrito pelo escritor português José Saramago, em seu livro, “Ensaio sobre a cegueira”, como uma sensação que impede o ser de mudar e reconhecer a sua responsabilidade social, por estar cego pelo medo. Neste âmbito, sem a educação financeira, o cidadão será perpetuamente cego aos efeitos de obedecer o capitalismo, tais como: endividamento pessoal; gastos sem necessidade e que poderiam ser revertidos em causas sociais como combate a iniquidade; destruição do meio ambiente, pelo consumo e descarte de plásticos exacerbado. Assim, aprender a como não ser submisso a gastar, é, sobretudo, prezar pela boa qualidade de vida de todos.
Instituir educação financeira, portanto, é fornecer as ferramentas necessárias, para que o ser não seja influenciado pelo fetiche, por conseguinte, não se torne cego e insensível a deterioração da vida. Assim, é mister que o Ministério da Educação insira na grade curricular, aulas a qual se discutam os mecanismos que causam a apatia social, por meio da apresentação de conceitos como de Marx e Saramago, para que os alunos entendam a importância de controlar seus gastos, a fim de que eles tenham autonomia sobre suas finanças, por conseguinte, responsabilidade para com a sociedade. Uma vez desenvolvida a empatia, pela educação financeira, charutos deixarão de ser acesos na dor alheia.