A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/10/2019
A educação, conjunto de processos de aprendizado visando crescimento intelectual e desenvolvimento do indivíduo como um todo, não se restringe a ambientes escolares ou universitários e também não se limita à aspectos convencionais da vida. Essa abrange muitos âmbitos, por exemplo, o financeiro, e faz-se útil para uma melhor rentabilidade tanto pessoal, quanto coletiva. Sob esse viés, o ensino no que tange à administração eficaz das finanças é de grande relevância, pois permite aos cidadãos se resguardar de diversas problemáticas, dentre elas, o consumismo e, consequentemente, o acumulamento de dívidas.
Em primeira análise, é valido ressaltar a importância da educação financeira no combate ao consumo exacerbado, que é um problema comum no hodierno cenário brasileiro. O sociólogo Zygmunt Bauman, que trata, de forma crítica, fenômenos cada vez mais recorrentes na pós-Modernidade, em seu livro Vida líquida, aborda a relação direta entre o ato de consumir desenfreadamente e o sofrimento. Segundo ele, uma sociedade com esse comportamento, ainda que com caminhos dispersos, todos levam às lojas. Tais rumos se devem, para Bauman, à uma busca existencial que logo é mediada pelo mercado. Nesse sentido, o cidadão que não sabe investir, comprar e reger o seu dinheiro de maneira consciente, acaba seguindo uma vida de alienação, justificada pela necessidade de se satisfazer, e gastando um valor superior ao que recebe por seu trabalho, gerando assim a famosa “bola de neve”, ou seja, um montante de despesas que se aglomerou progressivamente.
Ademais, convém analisar os impactos de uma sociedade consumista. De acordo com dados divulgados pelo Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de famílias brasileiras com algum tipo de dívida subiu de 59,8% em dezembro de 2018 para 60,1% em janeiro de 2019. Os resultados mostram que a porcentagem de famílias que alegam não ter condições de pagar suas contas e, por isso, continuam inadimplentes é de 9,1% neste ano de 2019. A partir dessa pesquisa, é possível concluir que um número considerável de pessoas não conseguem quitar suas dívidas e, assim, estão sujeitas à terem seu cpf registrados no Serasa e SPC por sua inadimplência.
Depreende-se, portanto, que é necessário a propagação desse auxílio educacional nas finanças. O Ministério da Economia, em parceria com empresas estatais e privadas, deve promover cursos gratuitos na modalidade de ensino a distância (EAD), por meio de subsídios governamentais, em que coaches financeiros possam lecionar aos brasileiros formas de aplicar melhor o seu rendimento e empreender mediante ao dinheiro que restar após pagarem sua pendências. Dessa forma, será possível atenuar os impasses supracitados e o corpo social poderá caminhar rumo ao progresso monetário.