A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/10/2019

“Se a educação sozinha não transforma o mundo, sem ela tampouco algo muda”. Essa frase, escrita pelo pedagogo Paulo Freire, é essencial para a plena compreensão de diversos problemas contemporâneos, tal como a ausência de educação financeira no Brasil. Nesse sentido, a falta de informação sobre o uso do dinheiro e o sensacionalismo praticado por empresas do mercado financeiro contribuem para intensificar essa problemática. Diante disso, analisar o atual contexto é fundamental para contornar esses entraves.

Deve-se pontuar, antes de tudo, os impactos negativos da ausência de alfabetização financeira na vida do cidadão comum, que é privado das capacidades necessárias à administração de suas finanças. Acerca disso, convém ressaltar que, para o político inglês Benjamin Disraeli: “O homem mais bem sucedido é aquele que dispõe das melhores informações”. Sob essa lógica, apesar do Brasil ser a oitava economia do mundo, o Estado não oferece incentivos adequados para o indivíduo prosperar materialmente, tornando-o refém de modos alternativos de instrução sobre o assunto. Por conseguinte, a conduta omissa do governo perpetua o atual cenário, impedindo a emancipação do povo no que tange às questões monetárias.

Outrossim, é válido destacar o uso de ferramentas antiéticas de marketing por parte de empresas do mercado financeiro, que frequentemente utilizam de propagandas enganosas para ludibriar potenciais clientes. Prova disso foi a multa aplicada pelo Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor - PROCON - sobre a companhia “Empiricus”, que prometia ganhos milagrosos aos seus internautas, caso comprassem seu curso de instrução sobre investimentos. Em consonância com esse pensamento, os comerciais inverossímeis prejudicam a inclusão do indivíduo nos temas econômicos, visto que esses prejudicam a imagem das corporações que atuam no mercado de capitais - gerando o atual desinteresse pelo tema. Faz-se necessário, portanto, uma atuação incisiva dos órgãos federais com o fito de punir irregularidades.

Depreende-se, por conseguinte, que o problema decorre da falta de educação financeira e das propagandas enganosas existentes nesse setor. Primordialmente, assiste ao Ministério da Educação promover, em escolas públicas e privadas, palestras educativas sobre finanças pessoais, mediante parceria com diretores de colégio. Isso será realizado de forma interativa e lúdica, a fim de promover um maior engajamento com o público juvenil e ensiná-los efetivamente sobre princípios básicos da administração monetária. Em adição, cabe a Comissão de Valores Mobiliários, em conjunto com os órgãos de defesa do consumidor, ampliar a fiscalização sobre companhias que utilizam de propaganda enganosa para vender seus produtos, a fim de ampliar a credibilidade do setor frente à população. Somente assim, a educação financeira terá a capacidade de transformar o mundo - conforme o pensamento de Paulo Freire.