A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/10/2019

Educar as crianças é essencial para que não seja preciso punir os homens. A máxima pitagórica parafraseada coloca em xeque as problemáticas da atual realidade educacional brasileira, atreladas aos desafios cotidianos da população. Nesse sentido, a permanência de cidadãos em situações de inadimplência econômica evidencia dificuldade de gestão de recursos pessoais, apresentada por muitos devido ao não fomento da prática em questão durante o processo de aprendizado. Assim, é de indubitável importância a adesão da educação financeira pelas instituições de ensino.

Carece de ressalva, em análise primária, a histórica desigualdade social no Brasil, bem como sua relação com a má administração das verbas pelas famílias. Acerca disso, verifica-se certa imobilidade estamental vivenciada pelos que enfrentam a pobreza no país, contexto em que a gestão de recursos é secundária à sua falta. Nesses casos, a ausência de educação financeira garante a permanência de muitos em posições de exploração na sociedade de privilégios, de modo que enganações, dívidas e a opressão trabalhista podem configurar realidades cotidianas e de difícil superação. Sobre isso, pode-se citar o sofrimento de Fabiano, personagem do livro “Vidas Secas’, de Graciliano Ramos, que era, por vezes, enganado por aqueles que detinham mais recursos e conhecimento comercial. Logo, é evidente a necessidade do ensino voltado à gestão monetária em prol da justiça social.

Não obstante, deve-se destacar, na conjuntura das sociedades do consumo, a importância da educação financeira em favor da consciência crítica dos indivíduos. Nessa vereda, vale comentar a ideia de que, no capitalismo, tudo é mercadoria, pensamento atribuído a Marx. Dado o pressuposto, é imprescindível que a população vença a alienação fomentada pelos veículos de propaganda, os quais, na figura da Internet, das mídias sociais e dos programas de televisão, apresentam-se constantes na vida do homem contemporâneo e dificultam a gestão racional de recursos financeiros. Dessa forma, a partir da premissa de que consumir de modo autônomo e consciente possibilita não apenas controle econômico pessoal, como também maior preservação do já muito explorado - devido às demandas de mercado - meio ambiente, é válido que as escolas trabalhem essas temáticas com seus alunos.

Diante das ideias assinaladas, torna-se evidente a importância do aprendizado relacionado à administração de verbas pessoais no Brasil. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, programar a adesão de aulas de educação financeira nas instituições de ensino, a partir do nível fundamental, por meio da contratação de profissionais qualificados, com o intuito de fomentar o pensamento crítico das gerações que vivenciam as sociedades de mercado. Assim, toda a população será beneficiada, independentemente das distinções sociais.