A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 24/10/2019

Em “Crime e Castigo”, Dostoiévski retrata os conflitos psicológicos do protagonista Raskolnikóv, que, em certo momento, se vê obrigado a matar uma agiota a fim de quitar dívidas acumuladas. O episódio, embora extremado, mostra como a incapacidade de lidar com as finanças pessoais é detrimental para a vida na sociedade moderna. No Brasil, o cenário de iletrismo financeiro também é predominante, cujos impactos transpassam a política nacional e as relações entre bancos e clientes.

Um primeiro recorte do tema é o impacto positivo na política causada pela educação financeira: o populismo tende a ser menos valorizado em um população com maior instrução em finanças. Um estudo de caso na Inglaterra, conduzido pela IZA (Instituto Alemão de Estudos Laborais), demonstrou que a alfabetização eficiente nessa área de conhecimento se relaciona à moderação política, ou seja, ao centrismo. Evidentemente, a educação permite que eleitores analisem criticamente o discurso ecônomico de candidatos, resultando em maior moderação política.

Sob outro recorte, é possível concluir que a educação financeira não-enviesada é fundamental para a criação de relações saudáveis entre bancos e clientes. As capacidades de avaliar empréstimos e investimentos matematicamente e de planejar aposentadorias e pensões, segundo o Observatório de Educação Financeira da OCDE, se tornam cada vez mais necessárias para o relacionamento entre bancos e pessoas. Essa educação se faz especialmente importante no Brasil, onde 41% da população se encontra com o CPF negativado, segundo o SPC Brasil.

Sendo assim, se faz relevante uma política de educação financeira que abranja os adultos ativos. Para tanto, é possível que o Ministério da Economia associe melhores taxas de crédito ao consumidor à inscrição em cursos de finança pessoal básica ofertados por instituições financeiras, que receberiam isenções tributárias como incentivo. Desse modo, será possível garantir que a população se sinta motivada em aprender, permitindo a redução do quadro de iletrismo financeiro no Brasil.