A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/10/2019

Na segunda metade do século XIX, momento de profundas transformações na sociedade brasileira, Machado de Assis, em seu livro “Quincas Borba”, narra a história de um herdeiro que ganha uma fortuna milionária e que por atitudes negligentes acaba perdendo sua herança, ainda suscita a reflexão da cautela em relação a pessoas ambiciosas. De maneira análoga ao apresentado pelo escritor, os cidadãos hodiernos não sabem administrar a monetização individual, gastam com coisas desnecessárias, contribuindo, dessa maneira, para o aumento de dividas e inadimplências. Diante dessa perspectiva é necessário analisar, a importância da educação financeira na vida do cidadão, bem como as consequências geradas a partir da má gestão desta.

Convém ressaltar, a princípio, a relevância da educação financeira na sociedade, ao contrário do que muitos acreditam, esta não consiste em apenas cortar gastos e diminuir despesas, mas sim ensinar a compreender quais as melhores ações a serem tomadas para se ter uma segurança pessoal no futuro. Nesse sentido, o filósofo iluminista Rousseau afirma que: “O homem é produto do meio”, ou seja, o indivíduo reproduz em sua vida aquilo que aprende e vivencia no cotidiano, isto é, o consumo exacerbado cada vez mais estimulado pelos meios de comunicação. Com efeito, há a necessidade do ensinamento de jovens quanto à área de finanças, de forma a capacita-los a agirem como gestores de seus próprios capitais.

Outrossim, cabe salientar a escassez de iniciativas políticas que incentivem a população a buscar a aprendizagem financeira, assim como falta de interesse social a respeito dessa busca. Sob essa lógica destaca-se o pensamento do Filósofo francês, Voltaire, “Educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas a sociedade”, segundo o qual, faz analogia a uma estratégia de trabalhar a educação financeira em escolas, para que o hábito de cuidar do próprio dinheiro seja incorporado desde a faixa etária infantil. Desse modo, com o conhecimento, é possível fazer escolhas corretas, definindo metas que possam ser cumpridas e de fato evitar o aumento de despesas e o endividamento.

Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tal, urge que o Ministério da Educação, elabore um projeto para inserir nas escolas, desde o Ensino Fundamental, matérias que contemplem o ensino financeiro, de maneira integrada à outras matérias tão importantes quanto esta, para que o aluno perceba a relevância desse tema no cotidiano e no futuro possa aplica-las de forma assertiva. Além disso, cabe ao Ministério da Economia, juntamente com o setor midiático, promover propagandas que visem conscientizar a população sobre os benefícios da educação financeira, com intuito de atingir públicos de todas as idades a fim de melhorar a situação do país.