A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/10/2019
Sob a visão do antropólogo Roberto DaMatta, é imprescindível que a sociedade faça uma releitura crítica do seu passado para vislumbrar um melhor perspectiva de futuro.. Entretanto, uma substancial parcela da população brasileira parece ignorar esse ensinamento, a julgar pela persistência de comportamentos negligentes em relação à importância da educação financeira na vida cotidiana, o que impacta as finanças familiares e a macroeconomia. Nesse contexto, evidenciam-se a insuficiência de esforços estatais e a alienação midiática como causas.
A princípio, o frágil empenho governamental na promoção da alfabetização financeira representa um dos empecilhos. Com efeito, embora o país disponha da Estratégia Nacional de Educação Financeiras(ENEF) - a qual busca levar estudos sobre controle orçamentário nas escolas-, a restrição desse projeto a um pequeno número de instituições dificulta a formação de uma população consciente em relação às próprias finanças. Em contrapartida, cresce o percentual de inadimplentes no Brasil, segundo o Serviço Nacional de Proteção ao Crédito(SPC), o que poderia ser amenizado se, já na infância, os brasileiros fossem educados financeiramente.
De outra parte, há de se destacar a relevância do planejamento de gastos para o enfrentamento do consumismo. Sob esse viés, convém frisar o poder persuasivo da propaganda no fomento a comportamentos imprudentes no que tange às compras, criando vontades insaciáveis, conforme defende os teóricos da “Indústria Cultural”-Theodor Adorno e Max Horkheimer. Nesse âmbito, parcelamentos e condições sem juros ilustram os atrativos fáceis usados para incitar a realizar de gastos desnecessário de uma significativa parcela da sociedade que desconhece noções básicas de economia responsável.
Urge, portanto, a importância de medidas que alterem esse cenário problemático. Diante disso, a fim de promover a educação financeira da coletividade, cabe as Secretarias de Educação oferecerem essa temática nas escolas, por meio de projetos transdisciplinares, como entre as matérias de Geografia e Matemática, com cursos de capacitação dos professores, que devem seguir as diretrizes do ENEF. Paralelamente, o Ministérios da Fazenda precisa fomentar o planejamento econômico familiar, a partir da veiculação de programas na televisão e nas redes sociais que debatem esse assunto, que contem com a participação de especialistas na área(economistas e administradores. Espera-se, assim, ter uma melhor perspectiva de futuro com a construção de uma sociedade que reconheça o indispensabilidade da educação financeira nas suas vidas.