A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/10/2019

A terceira fase do sistema econômico capitalista, o Capitalismo Monopolista, que começou a partir do século XX, teve como uma das principais mudanças, o surgimento das concessões de crédito facilitados por meio dos bancos e lojas. Porém, mesmo que já se passaram mais de 100 anos, muitos brasileiros não se adaptaram a tal mudança econômica, com isso um número maior de dívidas é gerado, trazendo à tona um grande problema no Brasil: o endividamento social. Nesse sentido, tanto a falta de ensino, quanto o marketing exacerbado do mercado, faz com que diversas famílias fiquem acumulando cada vez mais dívidas, atrapalhando o desenvolvimento do país.

Em primeiro lugar, deve-se pontuar que o ensino financeiro é negligenciado – ou até inexistente nas famílias e escolas – o que é um fator determinante que comprova a má administração da população. Consoante ao pedagogo brasileiro Paulo Freire, o importante é ensinar o indivíduo de forma interdisciplinar, fazendo a associação entre a teoria e a prática. Essa tese não está sendo aplicada de maneira correta pelas instituições educacionais brasileiras, pois o ensino é prioritariamente conteudista e pouco prático, trazendo de maneira superficial assuntos importantes como matemática financeira básica, mostrando como funciona o sistema de juros e empréstimos, os quais devem ser apresentados de forma aprofundada. Isso é comprovado pelo Sistema de Proteção ao Crédito, que cerca de 40% da população estava com o nome sujo, com dívidas em 2018.

Outrossim, a grande busca por lucro pelas grandes empresas, que se aproveitam da falta de conhecimento financeiro da população, faz com que o número de pessoas endividadas aumente cada vez mais. Esse quadro foi analisado por Karl Marx, que disse os sistemas capitalistas são regidos por uma busca incessante por lucro. Partindo desse pressuposto, diversas empresas utilizam meios - como propagandas persuasivas e grandes parcelamentos - para que tal visão seja aplicada. Uma grande varejista que aplica isso é a Magazine Luiza, que no seu site divide em vinte e quatro vezes, muita das vezes com juros, com isso diversos consumidores são seduzidos, ao verem parcelas baixas.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para que o problema da educação financeira seja atenuado, com a população sendo reeducada financeiramente. Destarte, o Ministério da Educação – cuja principal função é disseminar a educação -, em parceria com o Ministério da Economia, crie um programa de ensino financeiro. Esse projeto deve ser incluído nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que abordem, por exemplo, os sistemas de juros e como funcionam os investimentos financeiros. Tal medida faz-se necessária para que as próximas gerações tenham uma maior responsabilidade financeira, o que irá trazer um maior desenvolvimento no país.