A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/10/2019

“Dívidas. Eu, Ana, não aguento mais. Essa palavra não sai da minha cabeça. Não consigo mais dormir, tenho que pagar, eu preciso, mas não consigo. E em um ciclo infinito, mais dívidas se acumulam.” Esse relato fictício - embora verosímil - mostra a situação problema de milhões de brasileiros: a inadimplência. Sendo assim, surge a importância da educação financeira para formação de uma população com melhores condições socio-econômicas. Com efeito, esse distúrbio é reflexo de uma sociedade consumista e da inércia estatal com tal problemática.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar a importância da educação financeira para formação de uma sociedade harmônica. Nesse sentido, tal forma de ensino desenvolve nos indivíduos a criticidade e ideais de planejamento, tornando menos comum problemas como a inadimplência. Entretanto, tais ideais são poucos desenvolvidos na população brasileira que, infelizmente, encontra o consumismo imediato como viés de necessidade. Dessa forma, a partir da perspectiva do filosófico Guy Debord, vive-se a “sociedade do espetáculo”, ou seja, é preciso comprar para mostrar, sem considerar os meios para isso. Portanto, é imprescindível reverter essas estruturas ideológicas dos brasileiros, ao colocar em pratica a educação financeira, em detrimento de uma sociedade consumista e irracional.

Paralelo a isso, a falta de investimentos públicos pelo Estado nos setores educacionais dificulta a concretização de uma população estável financeiramente. Nesse contexto, o filme nacional “pro dia nascer feliz” denuncia a atual situação das escolas brasileiras, que são marcadas por péssimas infraestruturas e constante evasão escolar. Destarte, dificulta-se a promoção de aulas de cunho econômico, que deveriam ser realizadas nesses locais, permitindo que tal problema se reverbere. Ainda, tal situação é agravada pela aprovação de propostas de emenda constitucional, como a PEC-55, que congela gastos nas áreas públicas por 20 anos. Distanciando, então, a formação de uma educação de qualidade, inclusive financeira.

Em suma, é evidente a importância de uma educação pautada na economia para construção de um país estável. Para tal, cabe ao Ministério da Educação, a partir de investimentos e incentivos fiscais, promover um programa educacional de finanças, que ensine de forma crítica os princípios básicos da economia e as formas de evitar o acúmulo de dívidas. A fim de que, então, os estudantes se engajem contra essa problemática e revertam os ideais consumistas. Dessa maneira, relatos como o de “Ana” serão menos frequentes.