A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/10/2019
No filme “Até que a morte nos separe”, Tino, um pai de família, ganha na loteria e em 10 anos gasta todo o dinheiro juntamente com Jane, sua esposa. Analogamente, essa é uma realidade no Brasil, visto que muitos brasileiros possuem dívidas maiores que seu potencial de compra. Assim, o endividamento de pessoas físicas e a queda no potencial de empreendedores são, pois, consequências de um problema maior: a ínfima educação financeira no país.
Em primeiro lugar, é possível perceber que há um grande número de pessoas que não conseguem administrar o próprio dinheiro. Tal fato é evidenciado por uma informação divulgada pelo próprio Serviço de Proteção ao Crédito do Brasil, o SPC, em que mais de 60 milhões de brasileiros ficaram com o nome sujo no final de 2018. Com isso, muitas vezes o que ocorre é a famosa “bola de neve”, mas nesse caso, uma “bola de contas a pagar”, camuflada, inclusive, com empréstimos que, se vierem com juros altíssimos, geralmente aceitos por falta de consciência ou por supostamente não haver outra saída, acabam agravando a situação de endividamento do cidadão.
Ademais, se um indivíduo não sabe lidar com seu próprio dinheiro, muito provavelmente terá grandes dificuldades para gerir uma empresa - e isso impactará de forma significativa no desenvolvimento da economia do país, tendo em vista o modelo capitalista em que vivemos. Consoante a Pitágoras, filósofo e matemático, “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Depreende-se com isso que o problema começa desde a infância, período em que a criança deve aprender a poupar (com o uso de cofrinhos, por exemplo) e entender que uma hora o dinheiro acaba, portanto, os pais que dão mesada aos seus filhos, não devem ter o hábito de complementar a quantia para satisfazer os desejos supérfluos desses pequenos em processo de aprendizagem.
Diante do exposto, é notório que a educação financeira é de suma importância, mas infelizmente ela ainda não ocorre de forma considerável e efetiva. Para tanto, o Ministério da Educação deve, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, trabalhar de forma interdisciplinar a educação financeira, por meio da preparação de um livro com dicas e orientações básicas, médias e avançadas com relação ao controle das finanças. Cada nível de orientação deve estar presente em todas as séries, desde o Ensino Fundamental ao Médio, e as instruções devem se adequar às idades (por exemplo: aos mais pequenos podem ser sugeridas a utilização de cofres e aos maiores, o uso de aplicativos para controle de gastos e até sugestão de cursos para investimentos). Com essa medida, será possível educar as crianças, como recomendou Pitágoras, investir na prevenção do problema e reduzir as consequências de um povo que não sabe administrar seu capital.