A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/10/2019

Sob a perspectiva da filosofia de Aristóteles, o homem só consegue alcançar a felicidade quando age com moderação. Nessa lógica, no que diz respeito ao uso controlado e prudente do dinheiro, muitos indivíduos não atingem essa virtude, uma vez que a educação financeira é deficiente no Brasil. Assim, medidas devem ser tomadas para reverter esse impasse que é derivado de uma grade curricular  escolar defasada e tem como consequência os altos índices de brasileiros inadimplentes.

Em primeiro lugar, é válido destacar o fato da educação financeira ser negligenciada no ambiente escolar, o que implica na formação de cidadãos leigos acerca da importância de desenvolverem uma relação consciente e saudável com o dinheiro. Nesse sentido, conforme o pensamento do educador Paulo Freire, o indivíduo é impossibilitado de transformar aquilo que não conhece, com isso, o pouco contato com mecanismos que estimulem a percepção da necessidade de poupar e administrar bem as finanças faz com que o presente e futuro monetário de muitas pessoas sejam comprometidos e essa realidade tende a virar um ciclo. Assim, apesar do ensino econômico ter sido incluído na Base Nacional Curricular Comum em 2017, a demora para se implementar políticas como essa resulta na perpetuação de problemas de gestão de dinheiro por mais algumas gerações.

Além disso, a falta de planejamento diante das facilidades de concessões de crédito e do aumento do poder de compra influenciam para que muitos indivíduos extrapolem seus limites orçamentários e passem a integrar a lista de inadimplentes. Dessa maneira, em um contexto de recessão econômica e de quase 13 milhões de brasileiros desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a persistência de hábitos descontrolados pode desencadear o aumento de pessoas em situações de vulnerabilidade econômica e dificultar a restruturação. Assim, a educação financeira se configura como um importante aliado para prevenir situações críticas e auxiliar o cidadão a se comportar em momentos benéficos para o consumo.

Portanto, fica evidente que a educação financeira deve ser tratada com seriedade. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretárias municipais, investir na capacitação dos professores da rede básica com cursos preparatórios sobre o ensino econômico de modo que essa área do conhecimento seja transmitida da forma mais didática possível para os alunos. Espera-se, com isso, que os educandos possam aplicá-la em seu cotidiano e desenvolverem um pensamento crítico acerca da necessidade do uso consciente do dinheiro. Pois, é nesse caminho que o brasileiro atingirá a felicidade aristotélica.