A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/10/2019

No filme “Mauá: o Imperador e o Rei”, é retratada a história de Irineu, que, após a morte de seu pai, busca entender o mercado e a lógica financeira em busca de estabilidade econômica, o que o transforma no inovador e polêmico Barão de Mauá. Fora da ficção, uma parcela considerável da população brasileira não tem acesso a um ensino de planejamento de finanças, o que leva a um crescente endividamento e à alienação dos indivíduos quanto ao seu próprio poder aquisitivo.

Em primeiro plano, o desconhecimento sobre noções básicas de controle financeiro, como o gasto consciente e as práticas de investimento, contribuem para um número cada vez maior de devedores no Brasil. Ao limitar o acesso da população a esse tipo de conhecimento e permitir a escolha entre diversos tipos de pagamento, o Estado contribui para que o cidadão acredite possuir um maior poder aquisitivo, o que não acontece, e acumule dívidas que o indivíduo não tem condições de quitar. Dessa forma, ele entra em um estado de estagnação econômica e em um ciclo de compra e débito, do qual, muitas vezes, não consegue sair.

Ademais, o poder coercitivo das grandes empresas capitalistas corrobora a necessidade de um ensino voltado ao controle de gastos, visto que não é de interesse de tais corporações que seus consumidores adotem um estilo de vida voltado à compra do mínimo necessário. De acordo com o sociólogo Karl Marx, “só se transmite aquilo que a classe dominante deseja”, o que ilustra a manipulação direta que os menos abastados sofrem da pequena parcela possuidora dos meios de produção. Dessa forma, torna-se essencial que a sociedade use a educação como forma de escape do domínio a que está submetida.

Por conseguinte, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com Organizações Não-Governamentais, atue de forma a amenizar o quadro atual. Para diminuir o gasto e endividamento desenfreado dos brasileiros, deve-se investir, por meio de verbas governamentais, em palestras e cursos didáticos, ministrados por especialistas na área financeira, que possam alcançar a parcela dos cidadãos que não está mais na escola, efetivando uma maior conscientização e planejamento quanto ao manejo de seu consumo. Dessa forma, a história de superação do Barão de Mauá deixará de ser um caso isolado para se tornar apenas um de vários exemplos dentre a população.