A importância da educação a distância no Brasil

Enviada em 15/08/2020

Nos anos 70, o problema de acesso ao conhecimento era crítico com altos índices de evasão escolar. Diante desse cenário, foi criado, em 1978, o Telecurso com o objetivo de ampliar o acesso à educação a centena de milhares de brasileiros. Dessa maneira, o programa tornou-se popular ao levar um ensino de qualidade pela TV, com uma linguagem, formato e modelo revolucionário. Nesse sentido, é clara a relevância do ensino remoto para a democratização do saber, mas, como toda inovação, possui desafios a serem superados. Portanto, a inclusão digital, somada ao preconceito relacionado ao ensino a distância, são fatores preocupantes em torno do tema.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que, segundo o IBGE, 45,9 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018. Nessa perspectiva, é inimaginável pensar que todos possuem a capacidade de recorrer a esse meio. Desse modo, ocorre que a proposta da sistematização do ensino remoto esbarra na miséria extrema de alguns locais negligenciados, como município de Melgaço (menor IDH do Brasil). Assim, fica inviável para os indivíduos desses lugares recorrerem ao estudo remoto, quando estão convivendo com a fome e a ausência de serviços básicos. Logo, antes de usufruir dos benefícios das videoaulas e dos conteúdos online, o saneamento e a alimentação precisam ser oferecidos à população.

Em segundo lugar, é importante destacar que, no Brasil, existe um preconceito que relaciona essa forma de ensino com baixa qualidade. Isso ocorre porque não existe uma fiscalização rígida do nível do ensino remoto por parte das autoridades. Por outro lado, empresas como Descomplica, Imaginie e Biologia total provam que as barreiras da rejeição do EAD podem ser quebradas, oferecendo um serviço acessível e de qualidade. Então, é inegável que a educação a distância pode funcionar se determinadas problemáticas forem superadas.

Logo, os desafios do ensino remoto no Brasil não devem ser negligenciados. Portanto, o Ministério Público Federal, juntamente a ONGs, deve fiscalizar a oferta de serviços básicos, como saneamento e alimentação, por intermédio de visitas a locais carentes, para que jovens de baixa renda possam preocuparem-se apenas com os estudos e não com suas necessidades básicas. Também é necessário que o Ministério da Educação (MEC) implante fiscalizações rígidas avaliando a qualidade dos cursos online, por meio de verbas públicas, para que o ensino a distância deixe de ser mal visto pela população. Sendo assim, a democratização do acesso à educação no Brasil deixaria de ser uma utopia.