A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 29/07/2022

A obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, de José Saramago, retrata a invisiblização de certos problemas da sociedade. Na realidade brasileira, a crítica do autor é verificada na questão da falta de importância dada à cultura popular, que permanece no país intríseco à política ineficiente de construção e valorização da história do Brasil. Nesse contexto, persiste um impasse complexo, em virtude da ineficiência legislativa e da omissão estatal.

Com efeito, é importante destacar a ausência de ensino de história regional nas escolas como uma dos principais causadores da adversidade. Sob essa ótica, consoante à Lei da Inércia - do físico Newton - a tendência de um corpo é permanecer parado, caso nenhuma força seja exercida sobre ele. Ao seguir esse raciocínio, fora da física, é possível perceber a inércia do Estado, posto que não promove a expansão do conhecimento cultural e regional dos alunos, assim sendo, as escolas, principalmente as públicas, ficam restritas ao ensino da história geral e do Brasil, de forma que a história de cada estado é excluida da matriz de ensino, o que escancara a falta de importância dada a cultura popular por parte do governo. Destarte, essa inoperância torna-se um empecilho preponderante para a ocorrência da dificuldade, pois sem o ensino da história de todas as capitais do país, não há construção e valorização da identidade nacional.

Além disso, em paralelo, é válido mencionar a insuficiência da leis como fator que resulta em obstáculos para ter a devida importância na cultura popular brasileira. Nesse sentido, Maquiavel defendeu que ‘‘mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante de costumes’’. Desse modo, o filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a lei em si pode resolver problemas profundos. Dessa forma, o que verifica-se é uma lacuna na Lei 10.639/03, a qual torna obrigatório o ensino da história africana e indígena, dado que ela só será eficiente se vier atrelada à promoção de eventos escolares que valorizem essas culturas. Portanto, em decorrência dessa indiligência na lei, cria-se um ambiente propício para a ocorrência da desvalorização e ausência de construção da história brasileira.