A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 20/10/2021

A Constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a preservação cultural das regiões. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido com ênfase na prática, e a apreciação da história tem sido prejudicada. Sob essa ótica, a inoperância escolar no ensino, bem como a falta de interesse das pessoas, são fatores preponderantes para a falta de identificação com a história do Brasil.

A princípio, é fundamental ressaltar que o setor escolar tem um papel importante no ensino da construção da cultura do país. Por vezes, entretanto, existe uma negligência na valorização das festas populares, as tradições, a miscigenação, a culinária e os costumes que variam entre as regiões evidenciando as suas peculiaridades em tanta diversidade. Dessa forma, os alunos não identificam o significado histórico como primordial, afastando assim da construção de identidade. Como retratava Darcy Ribeiro, em sua obra “Povo brasileiro”, as pessoas têm facilidade em valorizar a cultura do outro, mas a sua acaba sendo negligenciada. Logo, as escolas precisam cumprir com o seu papel de apresentar a significância da preservação cultural.

Ademais, vale postular a superficialidade das pessoas nas relações sociais e por conseguinte, na identificação das suas expressões culturais. Nesse aspecto, segundo Eli Pariser, os indivíduos do mundo moderno vivem em suas bolhas e não sabem lidar com o mundo fora delas. A partir desse pressuposto, percebe-se que existe uma dificuldade em relacionar com o passado e a importância da história nas relações sociais e nas tradições regionais, pois as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o seu próprio bem estar, crescimento econômico, e tratam com desprezo as expressões culturais, sendo essas fundamentais para entender o mundo e o comportamento do grupo social.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomados, para que as garantias da Carta Magna sejam cumpridas. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima da esfera educacional, inserir disciplinas curriculares que tratem sobre a cultura popular e sua diversidade, por meio de uma alteração na Base Curricular Comum, com debates e palestras abertas ao público, a fim de fazer com que todos entendam a importância da valorização da história brasileira e o seu passado, para que o presente faça mais sentido. Assim, a geração futura não terá o mesmo desinteresse com relação às tradições, como a atual.