A importância da cultura popular na construção e na valorização da história brasileira

Enviada em 08/10/2021

No livro “Quarto de Despejo” - título que segundo a autora Carolina Maria de Jesus define as favelas - existem, em meio a seus relatos diários, criticas árduas de seus próprios costumes e a cultura brasileira.  Ainda que o livro seja de meados de 1960, tal sentimento negativo latente acerca dos aspectos sociais persiste, e foi objetivo de estudos. Tal fenômeno existe resultante de esforços parcos do Governo para promover a valorização da cultura, e algo chamado de síndrome de vira-lata. Logo, mostra-se necessária uma análise ao tema, a fim de que seja mitigado.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que, embora a Cultura e sua valorização sejam abrangidos pela Carta Magna, pouco o Governo faz para promover tal direito. Exemplo disso foi a recente dissolução do Ministério da Cultura. Ademais, a lei Rouanet, que mobiliza fundos monetários para arte, teve mais de 150 dos seus agentes demitidos no início do ano. Sob esta ótica, é claro que o objetivo dos atuais governantes não é cumprir cumprir tal direito, falta grave que é contrária à Constituição de 1988. Adicionalmente, o ônus dessas ações é da nação como um todo, pois além de perder de forma gradual seu escasso senso de comunidade, sofre com a baixa autoestima nacional e as resultantes dela.

Em segundo plano, é vital demonstrar que, como relatado por Carolina, tal faceta existe há séculos, e o motivo disso é a amnésia nacional auto-infligida. É inegável que a cultura é importante para um país, acerca disso o filósofo Santayama disserta que um país que esquece seus erros  está condenado a repeti-los. Nesse sentido, é possível ver o problema multifatorial que o país tem: ele esquece sua própria história e tal esquecimento gera dezenas de outros problemas econômicos e sociais. Ao apagar sua identidade, o Brasil está fadado a uma caminhada cega e não vetorizada, pois não há como inovar e resolver problemas se não há como comparar com ações que obtiveram sucesso. Além da baixa autoestima promovida pela Síndrome de vira-lata de Nelson Rodrigues -que consiste na desesperança e desvalorização do país como um inteiro - os brasileiros ficam paralizados, sem vistas do progresso citado na bandeira.

Neste interím, é basilar que o Governo, a fim de promover o direito deteriorado, restitua o Ministério da Cultura, que antes exercia grande retrocesso do complexo de vira-lata. Por meio dele é necessário ressignificar, por meio de leis como a Rouanet, a visão do brasileiro sobre si mesmo, utilizando de formas de arte e campanhas publicitárias, atingindo desde a base escolar até os adultos. Assim, a curto e longo prazo a cultura será valorizada como deve, de acordo com a Carta Magna. Com estas medidas, espera-se que as críticas de Carolina não sejam mais as mesmas da população.